31 de out. de 2010
27 de out. de 2010
Gregório de Matos
"Se és fogo, como passa brandamente,
Se és neve, como queimas com porfia?"
Usui de Itamaracá, chega! é tudo mentira!
Orquídea dormente, lavra com caloria
sementes de trêmula valentia
Sabeis o dobro da única face
que intermitente se enuncia,
os dementes comentários vazios
a serem driblados com dicotomia.
Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que em ímpeto abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.
Se és neve, como queimas com porfia?"
Usui de Itamaracá, chega! é tudo mentira!
Orquídea dormente, lavra com caloria
sementes de trêmula valentia
Sabeis o dobro da única face
que intermitente se enuncia,
os dementes comentários vazios
a serem driblados com dicotomia.
Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que em ímpeto abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.
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