26 de jun. de 2009

CIEPFEIO

Ali, vi coisas ausentes se materializarem em um tornado
E num vulto, coisas presentes se perderem em passado
Vi o mau sucedido pelo pior
E o melhor, quanto mais perdido fôr.
Ali, meus vícios e minhas fobias,
Minhas paixões e minhas garantias,
Atados em nós até sorverem em pó.
Canto-lhe odes e paródias
Por saber bem o que é estar ao seu lado
Odiei a idéia de perder mais um dia
Odiando-lhe em ardor equivocado.

Ali, preguiçosamente não soube lhe amar
Me confundo ali sempre pensando em outro lugar
As fofocas perdem a novidade, os alunos a peculiaridade
Levo a arma e o escudo para tomar novos ares
E deixo as amizades ímpares:
Ali, os rostos conhecidos desbotam, cada vez mais novos
E perderão sua notoriedade.
Não reconhecerei nem serei reconhecida
Ao mergulhar na idade.

21 de jun. de 2009

15/5/09 - 21/6/09

Como um fósforo riscado, não acende de imediato. Esquenta, não ilumina, e ainda carboniza parte de sua cabeça. Uma chance a menos de acender. Ascender. É como me sinto agora, sempre quase acendendo, mas são só fagulhas de atrito, e parte de mim a menos para tentar de novo. É sempre um quase.

18 de jun. de 2009

???

Não poderia me encontrar
Mas enterraria meu coração
Onde pudesse lhe tocar
Sem saber, o teria sob o pé
No solo da cidade
Que sempre viveu de café.

A gente planta o que colhe
Em fina garoa, pode sentir?
A gente fecha os olhos e não dorme
Mas meus sonhos hão de ficar aqui.

Eu faria buracos com os dedos
O enterraria pedaço por pedaço
Selaria as ânsias e os medos
Por falta de espaço.
Se tivesses o dedo verde,
e que sorte em tê-lo,
Meu coração poderia germinar,
Crescer e maturar aqui,
Onde poderia ser o meu lugar.

???

Nem amarrada!
A presença não valeria o corpo pintado dourado
Silêncio de ouro, corte dos excessos
Nem querubins loiros para nos travar em novos elos
E por assim dizer...

Não é preciso tanto esmero
Para perceber nosso enlace...
Cada embate calado
a embalar rostos sérios, severos,
a afetar só no íntimo;
O detalhe mais ínfimo não adormece em pretérito:
Corre em nossas veias,
Procurando em sua existência um mérito.

17 de jun. de 2009

???

Todo esse medo vicia
e vício é fruto
de outra virtude em desuso.
Quem se esconde atrás do muro
fica cada vez mais inseguro,
Tudo lhe deixa de luto;
E o notório difuso
se torna mais fácil de aceitar.
Intruso no seu julgamento,
corrói corpo adentro,
só sobra a alma vulgar.
Todo esse medo vicia,
Te mantém sempre no mesmo lugar
O mal que antes impelia
agora pede passagem para entrar;
o bem que poderia conquistar,
o progresso de cada dia,
não vale mais um réu
a quem acusar.
Só alguns contos de réis
que a tudo pode pagar.
Dignidade e bravura não tem preço,
Sempre me esqueço que não etiqueta
Quem vê nisso um preço que pode cobrar.

Caiu de maduro?

É querer falar muito do que não sabe
Me julgar por meias-verdades,
Enfatizando onde pequei com sinceridade.
Agora sei que é tarde,
Já me vendi, o todo por uma parte,
Minhas vergonhas no alto de um estandarte.
Toda a minha culpa selecionada pelo encarte.
Descarte,
E perdoe-me,
Antes que nem de sua memória me resgate.
Não é excesso, nem drama, não é arte
É dor, muito amor para pouca maturidade.

Ritual de Agosto

Tudo volta a seu lugar
Sem rotina não podem haver ritos
Quero um dia mais bonito
E ter pelo que esperar

Alguém lá fora,
Risos fora de hora,
Buzinas no portão.
Alguém, que descendo do ônibus,
me extenda a mão.

Sisudo menino, homem que chora
O que lhe escapa à mente
Não me falta a memória.

Amor liquefeito

Nosso amor liquefeito
Não se esvai sob pressão
É líquido no peito
e gás no coração.

Nosso amor liquefeito
Era insosso propano
Cabia dentro de um isqueiro,
nosso pequeno engano.

Nosso amor liquefeito,
Tinha data e hora pra acabar
De tão previsível,
chegava a ser vulgar.

Nosso amor liquefeito,
Nem esperou o combustível acabar
Crackeado em pedacinhos
Tudo volta so seu lugar.

Nosso amor liquefeito
é fogo que arde e se vê
Era combustão incompleta
ou não era pra ser?

Patinando de costas

Hoje esperei onde pudesse me encontrar
Só para não me dar as graças de te procurar
Anti-dialética,
Em reclusão ascética,
E pensando em te esbarrar por lá.
Sua afeição me fez menos cética
e um pouco mais vulgar.

14 de jun. de 2009

Long Road to Ruin

Oh God, I've sealed my fate:
Burning through hell,
Heaven can wait...