28 de fev. de 2011

Muito Pouco

Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.


Maria Rita
(gosto também da versão do Moska, mas tanto faz)

27 de fev. de 2011

Sobre Importâncias

Uma rã se achava importante
Porque o rio passava nas suas margens.
O rio não teria grande importância para a rã
Porque era o rio que estava ao pé dela.
Pois pois.
Para um artista aquele ramo de luz sobre uma lata
desterrada no canto de uma rua, talvez para um
fotógrafo, aquele pingo de sol na lata seja mais
importante do que o esplendor do sol nos oceanos.
Pois Pois.
Em Roma, o que mais me chamou atenção foi um
prédio que ficava em frente das pombas.
O prédio era de estilo bizantino do século IX.
Colosso!
Mas eu achei as pombas mais importantes do que o
prédio.
Agora, hoje, eu vi um sabiá pousado na Cordilheira
dos Andes.
Achei o sabiá mais importante do que a Cordilheira
dos Andes.
O pessoal falou: seu olhar é distorcido.
Eu, por certo, não saberei medir a importância das
coisas: alguém sabe?
Eu só queria construir nadeiras para botar nas
minhas palavras.


Manuel de Barros

Formigas

Não precisei de ler São Paulo, Santo Agostinho,
São Jerônimo, nem Tomás de Aquino, nem São Francisco
de Assis -
Para chegar a Deus.
Formigas me mostraram Ele.

(Eu tenho doutorado em formigas.)



Manuel de Barros

Palavra de ordem

Pra quem não sabe o que está fazendo, o que gostaria de fazer ou como fazer o que gosta, a 'palavra de ordem' é:

Il faut aller voir. 
(é preciso ir ver.)

26 de fev. de 2011

Alguns 'sinólogos', por vias práticas da profissão, já confirmavam: o mundo dá voltas. Jazidos ébrios ao chão debaixo de um ventilador de teto; você em seu lugar poderia tirar qualquer outra conclusão. Mas os 'sinólogos' esperam, porque o mundo dá voltas.


(Pq escrevi isso?)
Eu e a torcida do Flamengo dizemos que nada se produz quando se está apaixonado. Nada presta de fato. Pouco se dorme, pouco se admira. Mas posso contar um segredo?
Os períodos de postagens mais frequentes nesse 'espicilégio' são aqueles em que estive envolvida com alguém que me foi importante. Só hoje notei, agorinha, agorinha. E te digo: essa sensação de improdutividade é puro placebo. Ninguém se torna tão ignóbil da noite pro dia, e ainda te faz pensar que aquele cara te domina em um campo todamente seu. Todamente. Toda a sua mente, rotina, prazeres, pensamentos. Por isso digo, já: é tudo uma putaria, escrever, se apaixonar, tomar remédio e produzir. Tudo putaria!
Não dá pra acreditar que é só isso. Tanto se agoniza e se cativa até que se conquiste um namorado sem nunca ter a certeza de que ele realmente te admira, ou até mesmo de que lhe é fiel. Coincidências te conduzem a lugares legais com gente interessante, ainda que sejam todas igualmente instigantes. As bebedeiras, orgias e loucuras cometidas são algum tipo de discreta reputação entre amigos que nada vale quando se está só num quarto. Viaja-se para os lugares que todo mundo sonha em ir, ou até mesmo lugares exóticos pouco conhecidos de modo pouco convencional, garantindo assim várias fotos ordinárias de turistas e memórias planas de uma realidade muito mais profunda. E o emprego, aquele que todo mundo queria ter, se conquista estudando anos a fio (como em qualquer outra carreira) e vai garantir todos os luxos que mimam o dia-a-dia de uma pessoa que podia ser comum. E toda vez que se deitar na cama, será para descansar para a jornada de tabalho do dia seguinte, sem que se pense nos prazeres terapêuticos do sono e nos verdadeiros alcances do próprio corpo.
E virão filhos, o melhor de sua vida. Um cachorro, uma casa perto dos próprios pais. Mais viagens de crise de meia idade, ou de meio casamento. Um amante que não lhe é fiel, aposentadoria.
É realmente por só isso que devo esperar?