Como falar de algo pessoal e tão notório? Como contar uma história tão pessoalmente, se milhões de outras vezes já foi estendida e tracionada contra a luz, como um biombo a mostrar apenas a silhueta de seus atores? Como lhes explicar "dentro" da silhueta, se os rostos continuam mudando com o tempo?
Como poderia tentar "formolizar" minha essência se sou só idéia sem rosto? Como me apegar a uma idéia, se é só a silhueta que posso sequer sonhar em ter?
"Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo
Passa um momento a figura de um homem.
Os seus passos vão com 'ele' na mesma realidade,
mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas:
O 'homem' vai andando com as suas idéias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar.
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele que ele é - o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças.
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar."
A. Caeiro
A mesma idéia a comum a todos os homens, mas de fato, só os atos são palpáveis. Como tornar a idéia real, sensível, senão comprovando-a através de um ato; mexendo sua silhueta, para que eu possa escalar seu espectro e apalpar suas idéias. Já imaginou, atos capazes de ascenderem ao mundo platônico? Que viagem...
"It's kind of dive..."
Parece que, então, acredita na eternidade daas idéias? Pois eu concordo, senhorita...
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