27 de jun. de 2011

Sobre budismo e raios

É fácil quedar toda uma teoria comprovando um único erro; porque de tão acostumado aos dogmas, o sujeito queda-se mesmo ao desejo de ser visto como perspicaz, enquanto enxergar a teoria em questão como um todo ou aplicar-lhe uma alternativa parece muito mais fastidioso.
É o que aprecio no Budismo: não há dogmas, tudo há de ser comprovado - não no sentido empírico, mas no degustativo. Claro que ensinamentos mofam, que o ceticismo corre em direção contrária ao tempo; há de surgir um novo buda, para uma nova era, e dizer o que importa para aquele novo momento e seu novo homem.
Mas ora, enfim, só encarando ensinamentos amplos como dogmas que encontra-se facilidade em localizar discursos refutadores brilhantes e inovadores. E ainda que fossem todos resguardados do mofo e do ceticismo, é incrível quanto tempo leva para que cada um desses pensamentos sejam elaborados. Não são os gênios de seu tempo, mas raios esparsos em milênios de existência; são aleatórios e por acaso. Podem dois raios caírem no mesmo lugar, sim, mas ainda melhor do que uma mesma pessoa escrever sobre todas as coisas - ainda que genialmente - talvez fossem raios caírem regularmente, em corpos diferentes; para que novas eras pudessem chegar mais cedo.
Somente assim percebo o tempo como geológico, e como dilui a importância de tudo isso - que são só alguns raios. Não fossem os dogmas, e talvez o tempo rolasse sem que isso fosse por conta de algum dito cujo.

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