Acordei assim hoje, querendo aprender alguma coisa importante. Às vezes a gente se dá conta que o tempo passa milimetrado, com cadência, e é como uma mala que só cabem dois ternos e dois sapatos; mas daí existem coisas que a gente sente falta, que fazem sentir como milhares de ternos numa mesma mala, antes que a vida volte a ser uma caixa, porque não importa pelo quê se substitua os 2 ternos e os sapatos é só isso que lhe cabe. Sabe, a gente faz escolhas, do que põe na mala, sabe, e tudo o que fica de fora passa a nos odiar, mas tem vezes que parece que tudo volta a caber numa mesma mala, pra voltar a te assombrar, pra acontecer tudo ao mesmo tempo, pra preencher os centímetros quadrados folgados entre os fechos.
É a plasticidade de um cérebro sobreaquecido, de temperamento, de recuperação quando as ligas se rompem e se reencaixam sem ordem. Daí eu acordei, e sentindo falta das coisas que me quebrantavam a noção de tempo, pensei que deveria aprender algo de muito importante escrito nos livros, porque até o que é fixo esconde, de ciúmes, a sua elasticidade...
Sei lá, sabe, parece que antes o tempo passava barulhento... agora é tão silencioso, mas grita dentro da cabeça, faz como que de dentro pra fora o cuco na cuca, e de repente não é o relógio que faz som, mas a gente mesmo que não tem cadência, e conta o tempo e não os próprios compassos. Eu podia parar tempo com um clique, introduzir um adendo meu naquele momento que sequei na foto. Com um clique, sem ritmo. E agora, o tempo se faz contar silenciosamente, é o que se sente por dentro.
E não importa quanto tempo passe, vai sempre faltar alguma coisa vital na nossa mala.
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