28 de jan. de 2010

Sonhos de infância

O tempo passa. Óbvio.
Vejo no meu pai que quanto mais se passa, mais sólido a gente fica. Toda a maleabilidade juvenil lentamente se condensa, e num "muito de repente" a magia acontece. Ou se perde completamente. Fica difícil mudar as coisas, coisas essas que hoje eu descarto em um simples surto hormonal.
Parece que quando criança a gente existe apenas como fumaça, sem legado nem lembranças, e à medida que a idade avança, a gravidade trata de nos condensar, feito planetas de si mesmo, e vamos virando estátuas de praça dentro de casa a medida que envelhecemos. O tempo passa, e varre da gente as possibilidades de outras pessoas que poderíamos ser sem varrer os sonhos. Pode até ser meio frustrante a princípio, mas acho que é isso que nos mantém os mesmos a longo prazo.
E no fundo, acaba que a gente se torna a pessoa mais similar possível ao plano inicial, àquela primeira noção de futuro que nos incute o hábito de fazer planos atrás de planos. Pode até ser que você não se torne o astronauta ou médico que pensava, mas as ambições de criança podem muito bem ser mais reais do que outras que a gente adquire com o tempo. Realizar sonhos de infância não é uma tarefa fácil, principalmente porque ainda não há nenhuma restrição quanto a sonhar alto. Mas a busca por esses sonhos prematuros é que nos consolidam quando adultos, nos mantém no caminho certo para o que realmente cobiçamos.
E, mais importante do que isso, não basta apenas querer e fazer o possível. Há uma fábula budista que diz que não basta a semente querer se tornar uma árvore, é preciso também que a árvore tenha vontade de existir, como duas forças contrárias atuando em tempos diferentes, mas convergindo para o presente. Louco, não? Em outras palavras, o impossível será sempre impossível, não adianta espernear por coisas que não fazem parte do seu 'destino', que não são atraídas pelo seu 'Karma'. É uma forma mais bonita de dizer o que meu pai diria: "o que tiver de ser, será", - o que não torna o conselho menos sábio.
E, ainda, podem haver pessoas e circunstâncias que eventualmente nos desviem da realização desses sonhos de infância, mas acho que sempre achamos nossos meios de contornar isso. Pode não ser o meio mais nobre ou justo, mas não dá pra acertar sempre. Claro que os fins não podem justificar os meios o tempo todo, mas se ninguém nunca errasse, jamais haveria o desejo de mudança e a efetiva busca pelo que se quer. Seria como fazer sempre a coisa certa como se houvesse uma receita para isso, sem ter sido uma decisão do indivíduo. Seria uma inconsciente e sistemática perfeição que tiraria toda a glória da realização de um sonho de infância.
Claro que também podem existir pessoas e circunstâncias que, se não facilitam, te colocam no rumo certo de novo. Elas que fazem parecer que as grandes afeições são passageiras e eternas.
Acredito que todos têm sonhos de infância, mesmo que não correspondam com o que queremos no presente. Mas perto dos "planos iniciais", o resto é apenas ambição, pois muitas vezes são coisas que não fomentam o espírito quando sucedidas. Passam apenas com um elogio ou com o próprio tempo. E se quer mais.
Acho que se nunca estamos satisfeitos hoje, é porque um dia quisemos que o tempo passasse mais depressa, e nos tornamos adultos antes de ter tido a decência de sonhar infantil e negligentemente. Porque sonhar hoje não é o mesmo que ter sonhado 10 anos atrás, nunca é, nem poderia ser. Agora que podemos fazer coisas, não há mais tempo para sonhar.


That's it. Vou entrar para o mercado de Auto-ajuda, passar a vida dizendo aos outros o que fazer e vender meu queijo.

26 de jan. de 2010

Prézinho

Sem a menor vontade de correr atrás dos Bolsões dos pré-vestibulares por aí. São cheios de datas, de vozes burocráticas ao telefone, como se já não bastasse o vestibular em si. "Nós não informamos preços ao telefone", como se ir à unidade me impedisse de sair pela porta sem me matricular.
Desde o início da humanidade, a persuasão "olho-no-olho" sempre foi mais eficaz do que o marketing "boca-a-boca". Até porque a fala veio bem depois, assim como o marketing propriamente dito. Mas essas secretárias acreditam mesmo na própria lábia intimista, no terror psicológico do cliente e, claro, na real necessidade do infeliz do vestibulando.
Nem adianta, porque se eu tiver que vestir uma camisa, com certeza será branca e sem manga. Sem emblemas ou estampas. Prestar vestibular em salas sem ar-condicionado em pleno verão do Rio de Janeiro já me é suficiente. Agora, deixar que me vistam com slogans tipo "Os últimos serão os outros" ou "Soldado da ciência" é excesso.

25 de jan. de 2010

???

Sabendo que a maioria das pessoas que visitam um blog provavelmente possuem um também, então posso fazer-me entender, eu acho. É que toda vez que eu abro essa janela branca de postagem me dá um medo... e que medo... É que eu preciso postar um texto, bom ou ruim, sem engano. rs
Medíocre.
Brincadeiras à parte, perdi a folha onde estavam os textos que iria preparar. Talvez algum bloqueio do meu próprio medo de postar. Visitar alguns blogs por aí tem me intimidado, tem uma galera que escreve muito! Mesmo sendo a geração mais bem informada, pensam que esta é a menos "ideológica"; podemos não ter uma bandeira ainda, nem um grande movimento, mas caramba... enquanto existir humanidade haverá cultura sendo criada e recriada e debatida e... enfim. Exceto que alguma doença vindoura ataque o "gene da criatividade". Seleção natural. "A escolha é sua."
Maldita.
Sabe aquele comediante que sobe ao palco sem ter o que dizer? Eu. Até poderia ter escolhido não postar nada essa noite, exceto que tenho que esperar um download concluir e parecer ocupada enquanto isso. Se não, alguém vai apertar o maldito botão da internet, "porque ninguém estava usando...".
Eu tenho que achar aquele papel. Hoje que decidi jogar papéis fora, ele deve estar misturado com o lixo do banheiro no cesto lá fora. A essa altura, não faz mais diferença. Não é nada catastrófico nem algo insuperável, mas poxa... se escrevi naquele papel é porque na hora aquela idéia deve ter parecido "o pulo do gato".
Se você escreve, sabe do que falo. Como se aquele texto fosse mudar a sua escrita, e não o contrário. E de repente o post daquele texto teria 10 novos comentários, e seu blog estaria na Lista de Blogs Interessantes do Blogger sem nem estar escrito em inglês.
Eu não devia ter perdido aquele papel...

23 de jan. de 2010

Foto 9

"Take a picture. Every single day. For a year."
l'image quotidienne



"Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead end in sight

For every piece to fall in place
Forever gone without a trace
Your horizon takes its shape
No turning back, don't turn that page"

Como uma assídua fã de FooFa, claro que tinha que citar uma música!
Acreditem se quiser, nunca vou esquecer dos paulistas no "degrau" abaixo de onde eu tirei essa foto, principalmente do momento em que um deles interrompeu minha contemplação com uma fala... deus... uma fala que se projetou da conversa e envolveu meus ouvidos por alguns (vários) minutos. Para quem quisesse ouvir (e quem pudesse entender), um dos paulistas ponderou no alto da ruína:
"@#$$%, vocês viram que eles cobram um Sole para usar o banheiro lá fora? Por isso que eu trouxe uma cartela de Imusec!"
Meu riso sem fôlego deve tê-los envolvido da mesma forma... Misturado à altitude, à emoção, ao paulista sem noção, minha falta de fôlego foi bem sincera e severa naquele instante.

Obs.: S./ 1 = R$0,60

16 de jan. de 2010

Previsões

"Os livros na estante já não tem mais
tanta importância
Do muito que eu li, do pouco que sei
nada me resta
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei...
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
uma mensagem de amor..."

Gente...
Sabe quando as coisas acontecem do jeito que você previu, e você jurou aos outros que não estava sendo pessimista, mas quando finalmente acontece, aquela pontinha de orgulho por ter deixado acontecer dessa forma se manifesta? Esse é o resumo entre o Vestibular 2010 e eu rsrsrs
Sabe outra coisa engraçada? Venho tendo sonhos malucos desde a última prova, que foi semana passada. E tão estranho quanto suas "mensagens", é que lembro com detalhes de cada um. O mais bizarro eu acordei apavorada, e não encontrei significado pra ele em nenhum Dicionário dos Sonhos Online (e olha que eles têm explicação pra tudo!).
Enfim, se alguém souber o que significa Bono ter um aneurisma durante um discurso em prol da paz numa CNN da vida, me avise com urgência.

15 de jan. de 2010

Odeon

Recomendo: "Odeon", na voz de Fernanda Takai. Cantar tão docemente assim "parece até maldade"  *.*

"[..]
Ah vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostra da graça que o choro sentido tem
Quanto tempo passou, quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

[..]
Chora bastante, o meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao Bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon"

23/07/1930

"Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
 Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
 Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
 E posso estar na realidade onde está o que sonho.
 Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
 Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
 Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo."

A. Caeiro