O escritor brilhante é sempre aquele que critica a sociedade à qual está inserido. E por incrível que pareça, para que seja brilhante mesmo, seus livros tem que fazer sucesso e todos, ainda que criticados, devem lê-lo.
Não acho que sociedade alguma tenha senso de humor o suficiente para gostar de um livro que a critique severamente. Acho que no fundo ninguém entende seu real fundamento, não na época de seu lançamento.
Escritores brilhantes são mascarados, fomentam a diversão das gerações posteriores, quando o sentido de seus textos já fora revelado e estudado academicamente. Aí, a gente do futuro passa a pensar que estão muito distante daqueles tempos ultrapassados.
Mas deve ser frustrante ou até mesmo muito engraçado para o escritor ver as pessoas consumirem suas idéias desdenhosas, crentes que se tratam de açucaradas histórias de amor.
Jane Austen que o diga...
20 de set. de 2009
19 de set. de 2009
Comunicado importante
"A maioria das pessoas nutre uma paixão pela importância"
Fred Smith
Como se ao fazer a média de nossas vidas, as coisas tivessem pesos diferentes. E estatisticamente, algumas coisas mais propensas a se tornarem as medianas, e sempre uma moda em destaque.
Rsrs acho que estou tentando me redimir pelas aulas de matemática mal dormidas (Alexandre que me perdoe...)
Pois bem, tender às importâncias é fechar a mente para todo o resto. Nada mais valer a pena conhecer, tudo de magistral já fora descoberto antes mesmo de saber o resto. Tender às importâncias é esquecer que tudo o que é sólido também se pulveriza, desaba no mapa. Bastaria um gesto, ou a ausência deste, para se sentir carente de algo importante.
Vês como impotência está ligada à importância das coisas - ou à que damos a estas -? Necessidade de se sentir importante então, nem se fala...
Fred Smith
Como se ao fazer a média de nossas vidas, as coisas tivessem pesos diferentes. E estatisticamente, algumas coisas mais propensas a se tornarem as medianas, e sempre uma moda em destaque.
Rsrs acho que estou tentando me redimir pelas aulas de matemática mal dormidas (Alexandre que me perdoe...)
Pois bem, tender às importâncias é fechar a mente para todo o resto. Nada mais valer a pena conhecer, tudo de magistral já fora descoberto antes mesmo de saber o resto. Tender às importâncias é esquecer que tudo o que é sólido também se pulveriza, desaba no mapa. Bastaria um gesto, ou a ausência deste, para se sentir carente de algo importante.
Vês como impotência está ligada à importância das coisas - ou à que damos a estas -? Necessidade de se sentir importante então, nem se fala...
11 de set. de 2009
Bá!
As pessoas fazem tanta questão
que me dá preguiça...
Não sou nenhuma isca vanguardista
Sou neutra, vento na pista
Desletrada na pauta
A lenta passada na corrida armamentista
Nada sei para ser "achista"
Etérea, avulsa
Vivo em sonhos com memórias mistas
Se eu não acordar, por favor,
não me belisca.
que me dá preguiça...
Não sou nenhuma isca vanguardista
Sou neutra, vento na pista
Desletrada na pauta
A lenta passada na corrida armamentista
Nada sei para ser "achista"
Etérea, avulsa
Vivo em sonhos com memórias mistas
Se eu não acordar, por favor,
não me belisca.
4 de set. de 2009
"Saudade é o revés de um parto"
"O “nunca mais” é que acaba com a gente, que faz a gente repensar nossas ações, ver que a situação anterior não era tão ruim e que vamos morrer de saudade. "
Muito Melhor do que Tua Ex
Meu cachorro emitia odores inacreditáveis para um cão doméstico. E no entanto, tudo o que quero agora pe sentir seu cheiro de novo.
A gente se sentava na soleira da cozinha, uma de suas orelhas entre meus vários dedos, e ele cheirava à putrefação de qualquer matéria dura nos bons músculos: deslealdade, medo, fraqueza. Era agridoce.
Meu cachorro era puro músculo, e no entanto fazia um TIC TIC engraçado enquanto trotava no cimento.
O fio de sua existência parece um frio fio de aço. Não se rompeu, só está enrolado em meu braço.
Ele era um just-in-time como demandou minha vida, mas urinava tanto nas calotas do Toyota como da Ford. E da Volks, e da Honda... Éramos dois segundos filhos, dois coadjuvantes armando uma peça paralela.
Não me dei conta ainda dos vários "nunca mais", só parece que ele está sempre na sala ao lado enquanto atravesso uma porta. Todo mundo poderia ter falado para eu não chorar por um ex-namorado, sei lá. Mas não por um comprometimento de uma vida inteira. Infelizmente, a dele.
Não está sendo insuportável como não poderia ser. Vai ser uma quebra de rotina. É o conteúdo magmático dentro de minha concha se mexendo, devagar, denso, em cores quentes. Rotação de culturas.
Ps.: Eu odeio geografia.
Ps 2.: Guess what?
Muito Melhor do que Tua Ex
Meu cachorro emitia odores inacreditáveis para um cão doméstico. E no entanto, tudo o que quero agora pe sentir seu cheiro de novo.
A gente se sentava na soleira da cozinha, uma de suas orelhas entre meus vários dedos, e ele cheirava à putrefação de qualquer matéria dura nos bons músculos: deslealdade, medo, fraqueza. Era agridoce.
Meu cachorro era puro músculo, e no entanto fazia um TIC TIC engraçado enquanto trotava no cimento.
O fio de sua existência parece um frio fio de aço. Não se rompeu, só está enrolado em meu braço.
Ele era um just-in-time como demandou minha vida, mas urinava tanto nas calotas do Toyota como da Ford. E da Volks, e da Honda... Éramos dois segundos filhos, dois coadjuvantes armando uma peça paralela.
Não me dei conta ainda dos vários "nunca mais", só parece que ele está sempre na sala ao lado enquanto atravesso uma porta. Todo mundo poderia ter falado para eu não chorar por um ex-namorado, sei lá. Mas não por um comprometimento de uma vida inteira. Infelizmente, a dele.
Não está sendo insuportável como não poderia ser. Vai ser uma quebra de rotina. É o conteúdo magmático dentro de minha concha se mexendo, devagar, denso, em cores quentes. Rotação de culturas.
Ps.: Eu odeio geografia.
Ps 2.: Guess what?
30 de ago. de 2009
Descrição honesta de mim próprio bebendo um whisky no aeroporto, digamos de Mineápolis
"Não tenho culpa de sermos feitos assim, metade de contemplação desinteressada e metade de apetite."
Czeslaw Milosz
E de metade em metade, ás vezes menores do que deviam. Ou maiores que o todo inteiro.
É uma matemática meio maluca, do 50-50 com variantes: sentar no banco do carona, e olhar para fora, completamente blasé para os borrões da paisagem; ou olhar para dentro e deixar a "fome" te devorar, porque não quer lhe oferecer resistência.
Post idiota rs...
Czeslaw Milosz
E de metade em metade, ás vezes menores do que deviam. Ou maiores que o todo inteiro.
É uma matemática meio maluca, do 50-50 com variantes: sentar no banco do carona, e olhar para fora, completamente blasé para os borrões da paisagem; ou olhar para dentro e deixar a "fome" te devorar, porque não quer lhe oferecer resistência.
Post idiota rs...
29 de ago. de 2009
Atrasada
Sobe a serra. Chacoalha, chacoalha.
A elástica migração pendular, é difícil de se lembrar no momento em que se parte cedo de casa, mas quanto para mais longe, mais pressa se tem de voltar.
Chacoalha, chacoalha. O ônibus não pára.
Para quem se atrasa, o ônus da viagem é ter de ir em pé. O chão lhe escapa aos pés. O sono lhe carrega, e nessa hora cada um encontra seu canto. É difícil pensar em qualquer outra coisa nessa hora. É o movimento pendular, deixa essa onda te levar. Chacoalha.
Abraça o próprio corpo apertado, para conter o frio nas mãos. Lavaram o ônibus antes de sair da garagem, mas deixaram tudo molhado. A água escorre para debaixo dos pés, carregando toda a poeira trazida de fora. Tragam o ar úmido em um bocejo, e vira fumaça.
Cochila a moça, no ombro do senhor, segurando a criança. Cochila o jovem sobre a mochila. Cochilo eu, em pé. Chacoalha. E não acorda.
A água escorre lá fora pela janela, cavando sulcos na névoa que cobre a serra. A poeira de fora gruda no vidro com a água. A bochecha da menina gruda na janela, também poeira e água.
Nova pele morena, porque nunca existe dois tons iguais de pele mulata. Se basta. Quando a pele é branca, procura-se cor nos olhos e no cabelo, compensar a pele opaca.
Chacoalha, e cola um pouco mais a orelha na janela.
Alguém trançou seus cabelos, alguém arrumou sua mochila, alguém lhe pintou as unhas. Mas ela mesma se maquiou. Sombra azul nas pálpebras coladas, debilmente fechadas. Glitter nos lábios curtos e fofos, levemente abertos, arfando fumaça. Chacoalha, chacoalha.
Suas pequenas mãos seguram forte a mochila rosa, que alguém comprou. E também o tênis branco, que ela escolheu. Os cadernos de bichinho, a agendinha com cheirinho, as canetas coloridas. Que virtude nascer menina!
Essa menina dorme na janela, como no ombro de alguém. E sonha em passar mais tempo com Alguém. Adormece o rosto na janela fria, empalidece a bochecha. Logo vai pintar mais do que as unhas, e usar cores mais discretas que azul. Vai maquiar sua pele única, e odiar seu nariz de batata. Alisar os cabelos com química, que não aprendeu na escola. Furar a pele, mais do que nos lóbulos das orelhas...
Chacoalha.
Eu odiaria ser Alguém, se não puder presenciar isso na minha criança.
A elástica migração pendular, é difícil de se lembrar no momento em que se parte cedo de casa, mas quanto para mais longe, mais pressa se tem de voltar.
Chacoalha, chacoalha. O ônibus não pára.
Para quem se atrasa, o ônus da viagem é ter de ir em pé. O chão lhe escapa aos pés. O sono lhe carrega, e nessa hora cada um encontra seu canto. É difícil pensar em qualquer outra coisa nessa hora. É o movimento pendular, deixa essa onda te levar. Chacoalha.
Abraça o próprio corpo apertado, para conter o frio nas mãos. Lavaram o ônibus antes de sair da garagem, mas deixaram tudo molhado. A água escorre para debaixo dos pés, carregando toda a poeira trazida de fora. Tragam o ar úmido em um bocejo, e vira fumaça.
Cochila a moça, no ombro do senhor, segurando a criança. Cochila o jovem sobre a mochila. Cochilo eu, em pé. Chacoalha. E não acorda.
A água escorre lá fora pela janela, cavando sulcos na névoa que cobre a serra. A poeira de fora gruda no vidro com a água. A bochecha da menina gruda na janela, também poeira e água.
Nova pele morena, porque nunca existe dois tons iguais de pele mulata. Se basta. Quando a pele é branca, procura-se cor nos olhos e no cabelo, compensar a pele opaca.
Chacoalha, e cola um pouco mais a orelha na janela.
Alguém trançou seus cabelos, alguém arrumou sua mochila, alguém lhe pintou as unhas. Mas ela mesma se maquiou. Sombra azul nas pálpebras coladas, debilmente fechadas. Glitter nos lábios curtos e fofos, levemente abertos, arfando fumaça. Chacoalha, chacoalha.
Suas pequenas mãos seguram forte a mochila rosa, que alguém comprou. E também o tênis branco, que ela escolheu. Os cadernos de bichinho, a agendinha com cheirinho, as canetas coloridas. Que virtude nascer menina!
Essa menina dorme na janela, como no ombro de alguém. E sonha em passar mais tempo com Alguém. Adormece o rosto na janela fria, empalidece a bochecha. Logo vai pintar mais do que as unhas, e usar cores mais discretas que azul. Vai maquiar sua pele única, e odiar seu nariz de batata. Alisar os cabelos com química, que não aprendeu na escola. Furar a pele, mais do que nos lóbulos das orelhas...
Chacoalha.
Eu odiaria ser Alguém, se não puder presenciar isso na minha criança.
27 de ago. de 2009
Esferas
Há certas coisas sobre as quais não se deve falar. Ah, e como isso soa medíocre. Certas coisas não se fala sobre, não pela incapacidade de imaginá-las. Não gosto de falar sobre certas coisas, pois falar sobre elas é como admitir que seriam possíveis. A possibilidade do que para mim precisa ser impossível me irrita; por mais que me esforce, não posso impedir minha mente de divagar sobre essas fatalidades. Porque se é assim que deve ser, não vai importar o que eu acredito ou sobre o que divago.
Talvez fosse melhor sequer pensar nessas coisas impronunciáveis, deixá-las apenas me tomar como um súbito engasgo. Surpresas não fazem mais parte de minha rotina, não enqaunto pesco intenções e olhares no ar. Talvez fazçam parte de meu calendário, porque à longa distância tudo é meio turvo - e debilmente imprevisível.
Enquanto no ar levitam as projeções alheias, eu prefiro acreditar em mediunidade, porque queria saber o exato momento de me despedir. O que eu queria mesmo era ter participado de cada momento de sua vida. Mas nem por isso foi incompleta, embora em momentos egocêntricos eu possa vir a pensar algo parecido.
Eu não tenho medo da morte. A idéia de ter que deixar o que mais amo para trás não me parece insuportável (da mesma forma que não poderá ser quando ele partir de fato). Eu já pensei em me matar. Diversas vezes, mas por curiosidade. Eu sempre quis saber das coisas antes de todo mundo.
Acho que o que mais me daria medo seria o silêncio, não nasci para ser surda. Passo a vida toda buscando pela leveza e harmonia que com certeza só a morte deve trazer, mesmo depois de alguma agonia. Morrer agonizando deve ser mais interessante, sempre admirei contrastes. Mas não é isso que quero pra ele.
Eu quero, mesmo, era não falar mais nisso.
Talvez fosse melhor sequer pensar nessas coisas impronunciáveis, deixá-las apenas me tomar como um súbito engasgo. Surpresas não fazem mais parte de minha rotina, não enqaunto pesco intenções e olhares no ar. Talvez fazçam parte de meu calendário, porque à longa distância tudo é meio turvo - e debilmente imprevisível.
Enquanto no ar levitam as projeções alheias, eu prefiro acreditar em mediunidade, porque queria saber o exato momento de me despedir. O que eu queria mesmo era ter participado de cada momento de sua vida. Mas nem por isso foi incompleta, embora em momentos egocêntricos eu possa vir a pensar algo parecido.
Eu não tenho medo da morte. A idéia de ter que deixar o que mais amo para trás não me parece insuportável (da mesma forma que não poderá ser quando ele partir de fato). Eu já pensei em me matar. Diversas vezes, mas por curiosidade. Eu sempre quis saber das coisas antes de todo mundo.
Acho que o que mais me daria medo seria o silêncio, não nasci para ser surda. Passo a vida toda buscando pela leveza e harmonia que com certeza só a morte deve trazer, mesmo depois de alguma agonia. Morrer agonizando deve ser mais interessante, sempre admirei contrastes. Mas não é isso que quero pra ele.
Eu quero, mesmo, era não falar mais nisso.
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