Há certas coisas sobre as quais não se deve falar. Ah, e como isso soa medíocre. Certas coisas não se fala sobre, não pela incapacidade de imaginá-las. Não gosto de falar sobre certas coisas, pois falar sobre elas é como admitir que seriam possíveis. A possibilidade do que para mim precisa ser impossível me irrita; por mais que me esforce, não posso impedir minha mente de divagar sobre essas fatalidades. Porque se é assim que deve ser, não vai importar o que eu acredito ou sobre o que divago.
Talvez fosse melhor sequer pensar nessas coisas impronunciáveis, deixá-las apenas me tomar como um súbito engasgo. Surpresas não fazem mais parte de minha rotina, não enqaunto pesco intenções e olhares no ar. Talvez fazçam parte de meu calendário, porque à longa distância tudo é meio turvo - e debilmente imprevisível.
Enquanto no ar levitam as projeções alheias, eu prefiro acreditar em mediunidade, porque queria saber o exato momento de me despedir. O que eu queria mesmo era ter participado de cada momento de sua vida. Mas nem por isso foi incompleta, embora em momentos egocêntricos eu possa vir a pensar algo parecido.
Eu não tenho medo da morte. A idéia de ter que deixar o que mais amo para trás não me parece insuportável (da mesma forma que não poderá ser quando ele partir de fato). Eu já pensei em me matar. Diversas vezes, mas por curiosidade. Eu sempre quis saber das coisas antes de todo mundo.
Acho que o que mais me daria medo seria o silêncio, não nasci para ser surda. Passo a vida toda buscando pela leveza e harmonia que com certeza só a morte deve trazer, mesmo depois de alguma agonia. Morrer agonizando deve ser mais interessante, sempre admirei contrastes. Mas não é isso que quero pra ele.
Eu quero, mesmo, era não falar mais nisso.
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