Tac Tac Tac
patinhas ritmadas no cimento
unhas negras e curvas, gastas
Tac Tac Tac
o som do meu divertimento
o som pausado do meu silêncio
Como vou viver sem isso?
Tac Tac Tac
curtos bracinhos beges
musculosos e flácidos bracinhos
um senhor de idade! e que forma!
o peito viril, duas manchinhas beges
sobre as clavículas
A pele é branca como a minha
O pêlo que a veste
é preto como uma pupila
mas sou eu sob sua tutela
a aprender a esconder a dor
a gemidos inaudíveis
O corpinho é longo pras patinhas tão curtas
Um pequeno basset, de pêlos cada vez mais longos
Sobre a cabeça quadrática de um poodle,
um topete indescritível, marrom desbotado
Então ele tinha cabelo! E barbas...
Brancas, com perdidos bigodes pretos
Looongas orelhas, minha moto de pequena
o nariz preto e modelado de areia,
uma cicatriz no alto, e dentinhos fétidos abaixo
Tártaro até quase sem os dentes!
Hálito podre em uma carinha irresistível.
olhos vítreos, não menos sem vida
embaçados da idade
já não enxerga tão bem, é verdade
mas são olhinhos piscantes, curiosos
atentos a qualquer um de meus discursos
e capaz de expressar os seus
ah! claro, são cor de mogno
Tap Tap Tap
São meus passos solitários no cimento
Não é a mesma coisa...
Como viver sem ele?
Fofo!
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