14 de out. de 2010

Crepúsculo

Quando o verde dos teus olhos
tardar a amanhecer,
não será usura privar-me
de um só raio do teu viver?

Com que olhos sigo? tu me disseste
quanto desprazer carregava este luto vítreo
sem que soubesses o crepúsculo
que de ti me penetrava inciso
tão logo emergisse essa sua mágoa
como o pranto do leite derramado
a envolver as cores
que pudera minha retina ter fotografado

Por onde andarão seus olhos
se precoce anoiteceres
Serão outros a apreciá-los
com tamanho gosto como
não pude descrever?
Para onde esses sonhos vão levar
seus olhos abrumados de viver?
Onde devo estocar seus restos embalsamados,
ou despejar a leveza de teu ser?

Poderia teus olhos ter cravado
nalgum lugar do céu um ponto
de imersão, para que eu pudesse
enterrar o rosto em suprema solidão?
e poderia, junto ao tempo passado,
devolver ao sol posto o verde
- que o vento roubou do céu
assim que tuas pálpebras cerrou?

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