Eu precisava me livrar da pressão. Eu não tinha grandes acontecimentos pra relatar sobre minha vida, nunca participei de alguma grande tragédia. Minha vida simplesmente tomou o rumo de um filete d'água por entre as pedras, sem confrontar montanhas ou quedas livres. E ainda assim, eu podia apalpar a pressão em meu corpo, fingindo com meus dedos que aquilo que tocava não era meu. Eu podia simplesmente ter sublimado dali e permanecido apenas nas pontas dos dedos. Esse nível de concentração só se alcança poucas vezes na vida, apenas para saber que, de fato, algo se transpira nessas horas.
E então eu soube, pelo ar que se dobrava ao redor das minhas falanges, que eu não me lembrava de onde toda essa pressão veio. Minha musa é um museu, e minha história é o ar que desfila por entre suas obras. Qualquer visita poderia inalá-la para dentro de si, mas jamais teria a oportunidade de observar suas formas. Até mesmo eu, que expiro e transpiro para um salão que torna tudo o que já fora tão esparso.
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