14 de dez. de 2010

Nova perspectiva (desabafo)

Eu acho que se eu fosse mais extrovertida, talvez me vissem de uma forma diferente. Ninguém nunca vai me perceber como uma igual se lhes faltam tanta perspicácia para perceber os sinais que envio nas coisas que não digo. Serei sempre vista como uma presença altiva, e por vezes arrogante, pela falta de entusiasmo pela multidão.
Acontece que não sei contar histórias. Elas só tem graça quando já se sabe o final, porque impetuosamente desejo acabar de contar o mais rápido possível. Não me sinto apta a segurar a atenção das pessoas por tanto tempo e, ao mesmo tempo, incitar-lhes a imaginação. Ou pode ser também que eu nunca tenha vivido um grande história que pudesse ser contada fora do círculo comum de amizades. Pode ser isso, talvez.
Eu não sou de falar muito. Nunca senti necessidade de falar, quando meus pais insistiam em completar minhas frases por mim. Mas ao contrário do que possa parecer, não era cômodo, mas era minha forma de revidar-lhes. Acho que com o tempo desaprendi os artifícios da fala, e conservei minha expressão no nível  mais elementar da linguagem. Eu sou boa em ler rostos, isso eu sei fazer, mas gaguejar e trocar palavras não são habilidades muito valorizadas no discurso oral.
Eu me senti muito orgulhosa de mim quando descobri que poderia escrever e controlar essa 'ejaculação precoce' de palavras (ainda que essa deficiência ainda me ocorra com certa frequência). Mas é um avanço, certo? Posso me comunicar com meu namorado por 'cartinhas', mandar e-mails pros meus pais e enviar sms pros melhores amigos! Só não vou poder contar minhas histórias assim, sob a empolgação de suas presenças.

Um comentário:

  1. Eu consigo entender totalmente pessoas assim, pois ao ter que falar em público, esqueço até meu nome, gaguejo e no fim, pouco se aproveita do que falo.
    Que bom que existem outras formas de expressão, e escrever ainda é um ótimo meio de comunicação.

    Bjs
    Rossana

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