Todo mundo deveria eleger um dia de seu ano para ser completamente impessoal. Esqueça os melhores amigos, os colegas de trabalho e os passantes - lembre-se apenas disto: ninguém precisa que nada lhe seja dito.
Deveria haver um dia do ano em que se visita a casa, passeia entre os amigos, acopla-se ao cenário. Deveria haver um dia em que nada faz sentido mesmo, e ninguém te diz respeito. Porque é uma verdadeira bênção ter essa consciência de que aquele lugar só se torna parte da sua vida porque assim você o quis. Que de todos os outros lugares e outras pessoas com quem você poderia estar, você está logo ali.
Que nada é tão por acaso como a gente quer.
Esse dia será um dia memorável, do desapego ao resultado, da satisfatória compreensão do presente. Será um dia com lua no décimo-nono andar e cheiro de hidratante caro. E o ônibus que o leva lá, as pessoas que cumprimenta pela manhã, o lugar onde almoça e todos os padrões que se repetem serão agraciados pelo humor. Porque poderiam ter sido de qualquer outra forma que não esta, mas também preferiram estar ali,
daquele jeitinho de sempre.
Relembrar é viver: Na Hora da Verdade
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