20 de mai. de 2011

Autura

Vontade de jogar fora um pouco de tudo. Livros e apostilas, faculdade e curso de línguas, uma ou outra possibilidade de intercâmbio. Chão e casa, teto e telhado, gato e sapatos. Pais, dinheiro, amor, amigos e programas de fim de semana. Blog e blogueiros, fotos, cds gravados e playlists.
Eu não vim pregar o desapego não, não faço idéia do que estou dizendo. Mas o que era mesmo pra eu estar fazendo com tudo isso, apostar? Curtir, viver, amar, gastar, recriar, guardar, enterrar, amargar até maturar? Sei lá eu...
Pra que que me deram tudo isso se eu não tenho onde pôr? Onde que vou guardar tanta tranqueira que já matei tantas vezes e continua a florescer no meu quarto tão logo abro a porta, e do meu cheiro sei que ali era meu lugar ou até então eu pensava que era. Não tá no momento de colher ainda, conquanto me adormece o braço para ceifar a safra. Chute no ar, sei que salgaram esse chão; quanto de seu sal são lágrimas de portugueses e nem um pouco minhas? é justo chorar a esse altura? Ah, a vertigem dessa autura... Vinícius disse aos gritos se mede um abismo, mas essa autura, essa autonomia, tem metragem no silêncio.

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