11 de jul. de 2011

Eu aborto. Aborto porque não há outro jeito; entre 400 e 500 possíveis pessoas por vida. E imagino que há um deus sádico para querer me reencarnar e permitir que eu continue cometendo esses crimes. Cada metade dessas pessoas poderia ser melhor do que eu jamais fui, e alguém insiste em me reencarnar, para a cada vida ter o espírito cortado por esse pensamento.
Imagino que Deus se sinta incompleto, pois se encarna pessoas só para assistí-las pecar é só porque não o pode. Imagino que se Deus tivesse se criado as coisas seriam diferentes, e eu não precisaria abortar todo mês; o filho que me fosse digno nasceria apenas, da graça divina. Deus não quer que eu me sinta abençoada, mas adora que eu acredite que ainda posso ser. Não faz sentido! Poderia simplesmente abençoar todo mundo que eu conheço, e acreditaria facilmente, me derreteria em preces! Deus é folgado; ou é folgado ou é cruel.
Queria só ver Deus perder pedaços de si, partes maiores que o todo, e pedir perdão todo mês por cada metade de uma pessoa que poderia ter sido.

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