A chuva atrapalhou quase todas as minhas metas até 2010. Se bem que nem todas eu precisaria sair de casa para cumprir, o que aponta um certo desleixo de minha parte. No entanto, arejar a cabeça e ficar longe dos potes de sorvete no freezer teria ajudado bastante >.<
Nova meta:
8. Cumprir minhas promessas a partir de 01/01/10/XXI
(rsrsrs)
Vou ser sincera: a escrivaninha tá quaaaase limpa, o que me impede de sentar e aprender Eletromagnetismo pra prova da UFRJ.
Vou ser sincera (2): parar de roer unhas até que foi bem fácil, até chegar perto do fim de semana UFRJ...
Vou ser sincera (3): meu problema nunca foi a sinceridade nem dar conta de minhas pequenas promessas, mas sempre foi cumprir metas. Imagine que fica mais fácil cruzar a linha de chegada quando não se tem isso em mente, o que garante um acontecimento natural, sem depender muito da sua auto-estima ou seu auto-controle. Resumindo: Você não precisa brigar consigo mesmo o tempo todo, porque você só pensa nas consequências mais tarde, quando já está feito.
31 de dez. de 2009
30 de dez. de 2009
Metas até 01/01/10
1. Limpar a escrivaninha
2. Voltar a tirar uma foto por dia
3. Eletromagnetismo >.<
4. Encontrar alguém, novo ou conhecido, por acidente
5. Declarar independência ao açúcar
6. Terminar de ler ao menos um livro que tenha começado esse ano
7. Parar de roer as unhas, de novo
Hoje já é dia 30, né...
2. Voltar a tirar uma foto por dia
3. Eletromagnetismo >.<
4. Encontrar alguém, novo ou conhecido, por acidente
5. Declarar independência ao açúcar
6. Terminar de ler ao menos um livro que tenha começado esse ano
7. Parar de roer as unhas, de novo
Hoje já é dia 30, né...
29 de dez. de 2009
Nothing changes on New Year's Day
Possivelmente o último post de 2009, um ano comprido e cumprido. Vai deixar muitas saudades e muito alívio, digamos que alternados e dependendo da situação.
Me sentindo meio analfabeta recentemente, sem "aquilo". Já fiz tantos posts de despedida que tô até aliviada de não precisar fazer outro hoje. Sei lá rsrs
Como não espero postar novamente nesse memorabilíssimo (rsrs, piada piega) ano, é com esse post que eu vou...
"É com esse que eu vou
desabafar na multidão
E se ninguém se animar
Eu vou quebrar meu tamborim
Mas se a turma gostar, ah
vai ser pra mim
É com esse que eu vou
sambar até cair no chão
é com esse que eu vou
desabafar na multidão"
Ps.: agora que descobri Elis Regina, eu vou mesmo X)
Me sentindo meio analfabeta recentemente, sem "aquilo". Já fiz tantos posts de despedida que tô até aliviada de não precisar fazer outro hoje. Sei lá rsrs
Como não espero postar novamente nesse memorabilíssimo (rsrs, piada piega) ano, é com esse post que eu vou...
"É com esse que eu vou
desabafar na multidão
E se ninguém se animar
Eu vou quebrar meu tamborim
Mas se a turma gostar, ah
vai ser pra mim
É com esse que eu vou
sambar até cair no chão
é com esse que eu vou
desabafar na multidão"
Ps.: agora que descobri Elis Regina, eu vou mesmo X)
26 de dez. de 2009
In Somnia
Eu gosto de Sônia. Às vezes guardo valiosos conselhos de nossas conversas. Não há nada que não possa lhe contar, e quase nenhum assunto em que concordamos com a outra. No começo, ela sentaria na ponta da cama e permaneceria a noite inteira calada, sem mudar de posição ou expressão. Não deixava sequer marcas no colchão quando se levantava para ir embora.
Ela era como um espectro que respirava todo o meu ar, e preenchia todo o quarto com sua presença.
Sônia sabia que não era querida, e principalmente, que não fora convidada. Mas sua indiferença era tão blasé que me intimidava profundamente quando percebia que ela estava me observando, quando finalmente parecia reparar em minha presença ali. Eu poderia jurar que sua vigília pode examinar além das paredes e até dentro da minha cabeça. Encontrar Sônia era um pesadelo, e quanto mais me agoniava com mais frequência a encontraria.
Sônia é como a mulher que você gostaria de ser no futuro. Às vezes veste aquela camisola de seda que você estava meses de olho na vitrine, e a usa com tanta naturalidade que até parece uma extensão de seu charme, parte de seu próprio corpo. Ela não se intimida com choro nem cara feia, e não perde a paciência enquanto você não toma a iniciativa de dizer alguma coisa. Tinha noites que se vestia com minhas roupas como que pra me ridicularizar, e isso era tão aceitável como uma autocrítica.
Ela sentada na ponta da cama, me fitando, e eu andando de um lado a outro do quarto, aflita. Liguei o mp4, e fingi não reparar naquela estranha que me perseguia inúmeras noites adentro. Não durou muito a estratégia, Sônia realmente me tirava do sério. Quando enfim tomei fôlego, ela parecia entender cada palavra e do que se tratava, como se tudo o que eu dizia já fosse um assunto recorrente.
_ Não vou reclamar, gritar que estou cansada em um microfone. Vou dizer que já estive mais confiante, mais afiada. Mais intocada e íntegra, também. Vou dizer que as palavras já fizeram mais sentido pra mim e que conselhos diversos já foram ouvidos antes. Mas isso era quando as coisas eram em technicolour. Eu não poderia ver meu hálito se condensar, mas tenho certeza de que minhas palavras vinham acompanhadas de legendas. Esqueça os sonhos em technicolour, é assim que era para ser.
Sorriu, e cruzou as pernas. Sônia se debruçou lentamente por sobre a cama e me convidou a deitar ao seu lado com um sorriso imperativo, manipulador se posso dizer. Temia o tipo de aborrecimento que uma resposta negativa ao convite pudesse causar naquela figura misteriosa. Cedi, e enquanto fitava o teto, desconfortável em minha própria cama, ela se aproximou do meu ouvido, deitou em meu travesseiro e censurou, com a voz mais decidida e doce do mundo:
_ Não seja superficial, não seja barata, você sabe que essas coisas não são mais assim, e que pouco sente falta desse passado tão recente. Você mesma disse. Não há nada de bom em ser perfeita, você sabe tão bem que as coisas são fáceis de adivinhar. Então porque passa tempo tão precioso de sono acordada pensando em águas passadas?
_ Você dorme a noite inteira e mente acordada. Eu não, se durmo minto a mim mesma, então passo a noite inteira acordada. Sonhar é um luxo para quem tem certeza de que fez a escolha certa, pois não precisa temer que seus sonhos lhe assaltem com assuntos inoportunos, dúvidas que conscientemente não encorajaria.
Se divertiu com resposta, como quem descobre um ponto fraco do adversário. Deu o golpe incisivo:
_ Você tem medo do que seus sonhos podem te lembrar, então?
Me virei de bruços, decidida a encarar minha adversária nos olhos, e a tomar posse da minha metade do travesseiro. Me ajeitei como pude, queria conquistar espaço físico naquele diálogo. Eu queria falar exatamente sobre aquilo que eu não falava com ninguém. Queria fazê-la entender, mesmo que fosse apenas uma estranha.
_Tenho, porque não lembram a realidade como ela é, mas como era para ter sido ou como eu queria que fosse. Durma sobre agulhas e ouça toda a verdade, você vai até acreditar que é forte. Prefiro não dormir, e consequentemente não sonhar, para estar de olhos abertos apenas para a realidade, que por si só já fere o suficiente. E já que é pra passar o dia e a noite de olhos abertos, fica mais fácil resistir até o final pensando que se é forte e autossuficiente. Mesmo que tenha que se lembrar o tempo todo que já esqueceu o que se passou e o que te assombra.
Ela passou a encarar o teto também, distanciou os lábios do meu ouvido esquerdo e se apoiou sobre meu ombro. Foi o primeiro contato físico, e lembro que foi macio e leve como uma pluma de travesseiro.
_ Você tem sorte de eu estar por perto, então. Por que faz tanta questão de estar atenta à realidade se você mesma diz que tem de resistir até o final do dia?
Ponderei insensatez a partir desse ponto. Retrucar com Sônia era inútil, como se ela já soubesse quais seriam minhas respostas. Mas insisti, a teimosia superando o medo de estar enlouquecendo.
_ Porque, oras, eu deixei minha cabeça em um aeroporto, meus pensamentos em um táxi, meu coração na recepção, mas a última coisa que vi foi ele. Não vale a pena ficar até o final, se o amor pode curar todos os seus problemas?
_ Depende de quanto tempo você estará disposta a esperar... Não vale a pena viver contando com isso, esperando por um remendo especial e milagroso para suas cicatrizes. Se você está parada no meu caminho, arrume um par de mãos hoje. Reaja, não vá gastar metade da sua vida esperando por alguém que pode nem chegar, e outra metade lembrando de como era linda a juventude. Não vou perguntar se você parou para pensar durante esse caminho, mas é sensato fazer o possível para evitar arrependimentos.
_ Eu não vou mentir, dizer que todos estão bem, até nós morrermos. Arrependimentos e erros são inevitáveis a partir de determinado ponto. Se fôr para errar em esperar, que seja por alguém que cometeu o mesmo erro, acreditando na mesmo fantasia que você. Se eu sou seu erro, você é o meu.
Ela se apoiou no cotovelo direito, e passou a encaracolar meus cabelos com a outra mão. Um ar meio fraternal, meio maternal. Sônia estava séria, sem segundas intenções nos sorrisos que escapavam eventualmente.
_ Pense em como você gasta seus dias. Espere e veja como a natureza moderna pode te "consertar". Esse romantismo precoce te deixa tão alerta e incomodada com as coisas ao redor que nem deixa o verdadeiro amor se aproximar. E mesmo que encontre alguém, a expectativa da espera extirpará seu sentimentalismo logo em seguida, quando mais precisará.
Em tese, concordei com ela. Eu criava muitas expectativas, mastigava a realidade até perder o gosto, e cuspia. Comecei a perceber que minhas crenças não tinham fundamentos, até então eu não estava apaixonada para afirmar que apostaria minha vida em um amor. Adianta dar palpite sobre o que não se tem certeza?
Sônia daria uma ótima advogada, conseguiu me tornar contra mim mesma. E beijou minha testa em meio ao meu silêncio. Percebeu a confusão que causara, e suspirou como se sua missão tivesse sido cumprida.
Daquela noite, pouco me lembro mais. Eu me acusava, e ela me defendia; eu me defendia, e ela acusava. O debate perdurou mais um pouco. Percebi a voz de Sônia cada vez mais distante e leve.
Cheguei até a pensar que era um anjo, mas sua presença era muito perturbadora, não me inspirava calma alguma. A maioria das pessoas deseja uma companhia a noite, mas como disse antes, não Sônia - e ela sabe disso. Por mais que tente acalmar minhas aflições com conversas terapêuticas, sua presença corrompe meu sono.
Minhas pálpebras pesavam, eu mal podia acreditar nos meus olhos. Fechá-los antes seria como mantê-los abertos por tempo demais, era preciso esforço. Mas agora, como uma longa piscada descompromissada, eu estava de olhos fechados, relaxada de certo modo. Podia ainda ouvir, ao longe, Sônia me fazendo perguntas. Havia uma música ao fundo, uma baladinha meio "bonitinha" demais. Quando finalmente a bateria do mp4 se exauriu, Sônia e eu não poderíamos mais disputar quem conhecia mais músicas do Sondre Lerche e usar seus versos para se expressar. Era uma competição meio infundada, mas enfim ela se calou. Percebi meus olhos fechados uma última vez, e no ímpeto de abrí-los novamente para "ver" se estava eu dormindo de verdade, toca o gongo. Desperta o despertador. Quando eu achava que tinha triunfado... Sônia não estava mais lá para ver. Acordei para o dia, aturável como os outros, na esperança de encontrar a cura para os meus problemas.
Ela era como um espectro que respirava todo o meu ar, e preenchia todo o quarto com sua presença.
Sônia sabia que não era querida, e principalmente, que não fora convidada. Mas sua indiferença era tão blasé que me intimidava profundamente quando percebia que ela estava me observando, quando finalmente parecia reparar em minha presença ali. Eu poderia jurar que sua vigília pode examinar além das paredes e até dentro da minha cabeça. Encontrar Sônia era um pesadelo, e quanto mais me agoniava com mais frequência a encontraria.
Sônia é como a mulher que você gostaria de ser no futuro. Às vezes veste aquela camisola de seda que você estava meses de olho na vitrine, e a usa com tanta naturalidade que até parece uma extensão de seu charme, parte de seu próprio corpo. Ela não se intimida com choro nem cara feia, e não perde a paciência enquanto você não toma a iniciativa de dizer alguma coisa. Tinha noites que se vestia com minhas roupas como que pra me ridicularizar, e isso era tão aceitável como uma autocrítica.
Ela sentada na ponta da cama, me fitando, e eu andando de um lado a outro do quarto, aflita. Liguei o mp4, e fingi não reparar naquela estranha que me perseguia inúmeras noites adentro. Não durou muito a estratégia, Sônia realmente me tirava do sério. Quando enfim tomei fôlego, ela parecia entender cada palavra e do que se tratava, como se tudo o que eu dizia já fosse um assunto recorrente.
_ Não vou reclamar, gritar que estou cansada em um microfone. Vou dizer que já estive mais confiante, mais afiada. Mais intocada e íntegra, também. Vou dizer que as palavras já fizeram mais sentido pra mim e que conselhos diversos já foram ouvidos antes. Mas isso era quando as coisas eram em technicolour. Eu não poderia ver meu hálito se condensar, mas tenho certeza de que minhas palavras vinham acompanhadas de legendas. Esqueça os sonhos em technicolour, é assim que era para ser.
Sorriu, e cruzou as pernas. Sônia se debruçou lentamente por sobre a cama e me convidou a deitar ao seu lado com um sorriso imperativo, manipulador se posso dizer. Temia o tipo de aborrecimento que uma resposta negativa ao convite pudesse causar naquela figura misteriosa. Cedi, e enquanto fitava o teto, desconfortável em minha própria cama, ela se aproximou do meu ouvido, deitou em meu travesseiro e censurou, com a voz mais decidida e doce do mundo:
_ Não seja superficial, não seja barata, você sabe que essas coisas não são mais assim, e que pouco sente falta desse passado tão recente. Você mesma disse. Não há nada de bom em ser perfeita, você sabe tão bem que as coisas são fáceis de adivinhar. Então porque passa tempo tão precioso de sono acordada pensando em águas passadas?
_ Você dorme a noite inteira e mente acordada. Eu não, se durmo minto a mim mesma, então passo a noite inteira acordada. Sonhar é um luxo para quem tem certeza de que fez a escolha certa, pois não precisa temer que seus sonhos lhe assaltem com assuntos inoportunos, dúvidas que conscientemente não encorajaria.
Se divertiu com resposta, como quem descobre um ponto fraco do adversário. Deu o golpe incisivo:
_ Você tem medo do que seus sonhos podem te lembrar, então?
Me virei de bruços, decidida a encarar minha adversária nos olhos, e a tomar posse da minha metade do travesseiro. Me ajeitei como pude, queria conquistar espaço físico naquele diálogo. Eu queria falar exatamente sobre aquilo que eu não falava com ninguém. Queria fazê-la entender, mesmo que fosse apenas uma estranha.
_Tenho, porque não lembram a realidade como ela é, mas como era para ter sido ou como eu queria que fosse. Durma sobre agulhas e ouça toda a verdade, você vai até acreditar que é forte. Prefiro não dormir, e consequentemente não sonhar, para estar de olhos abertos apenas para a realidade, que por si só já fere o suficiente. E já que é pra passar o dia e a noite de olhos abertos, fica mais fácil resistir até o final pensando que se é forte e autossuficiente. Mesmo que tenha que se lembrar o tempo todo que já esqueceu o que se passou e o que te assombra.
Ela passou a encarar o teto também, distanciou os lábios do meu ouvido esquerdo e se apoiou sobre meu ombro. Foi o primeiro contato físico, e lembro que foi macio e leve como uma pluma de travesseiro.
_ Você tem sorte de eu estar por perto, então. Por que faz tanta questão de estar atenta à realidade se você mesma diz que tem de resistir até o final do dia?
Ponderei insensatez a partir desse ponto. Retrucar com Sônia era inútil, como se ela já soubesse quais seriam minhas respostas. Mas insisti, a teimosia superando o medo de estar enlouquecendo.
_ Porque, oras, eu deixei minha cabeça em um aeroporto, meus pensamentos em um táxi, meu coração na recepção, mas a última coisa que vi foi ele. Não vale a pena ficar até o final, se o amor pode curar todos os seus problemas?
_ Depende de quanto tempo você estará disposta a esperar... Não vale a pena viver contando com isso, esperando por um remendo especial e milagroso para suas cicatrizes. Se você está parada no meu caminho, arrume um par de mãos hoje. Reaja, não vá gastar metade da sua vida esperando por alguém que pode nem chegar, e outra metade lembrando de como era linda a juventude. Não vou perguntar se você parou para pensar durante esse caminho, mas é sensato fazer o possível para evitar arrependimentos.
_ Eu não vou mentir, dizer que todos estão bem, até nós morrermos. Arrependimentos e erros são inevitáveis a partir de determinado ponto. Se fôr para errar em esperar, que seja por alguém que cometeu o mesmo erro, acreditando na mesmo fantasia que você. Se eu sou seu erro, você é o meu.
Ela se apoiou no cotovelo direito, e passou a encaracolar meus cabelos com a outra mão. Um ar meio fraternal, meio maternal. Sônia estava séria, sem segundas intenções nos sorrisos que escapavam eventualmente.
_ Pense em como você gasta seus dias. Espere e veja como a natureza moderna pode te "consertar". Esse romantismo precoce te deixa tão alerta e incomodada com as coisas ao redor que nem deixa o verdadeiro amor se aproximar. E mesmo que encontre alguém, a expectativa da espera extirpará seu sentimentalismo logo em seguida, quando mais precisará.
Em tese, concordei com ela. Eu criava muitas expectativas, mastigava a realidade até perder o gosto, e cuspia. Comecei a perceber que minhas crenças não tinham fundamentos, até então eu não estava apaixonada para afirmar que apostaria minha vida em um amor. Adianta dar palpite sobre o que não se tem certeza?
Sônia daria uma ótima advogada, conseguiu me tornar contra mim mesma. E beijou minha testa em meio ao meu silêncio. Percebeu a confusão que causara, e suspirou como se sua missão tivesse sido cumprida.
Daquela noite, pouco me lembro mais. Eu me acusava, e ela me defendia; eu me defendia, e ela acusava. O debate perdurou mais um pouco. Percebi a voz de Sônia cada vez mais distante e leve.
Cheguei até a pensar que era um anjo, mas sua presença era muito perturbadora, não me inspirava calma alguma. A maioria das pessoas deseja uma companhia a noite, mas como disse antes, não Sônia - e ela sabe disso. Por mais que tente acalmar minhas aflições com conversas terapêuticas, sua presença corrompe meu sono.
Minhas pálpebras pesavam, eu mal podia acreditar nos meus olhos. Fechá-los antes seria como mantê-los abertos por tempo demais, era preciso esforço. Mas agora, como uma longa piscada descompromissada, eu estava de olhos fechados, relaxada de certo modo. Podia ainda ouvir, ao longe, Sônia me fazendo perguntas. Havia uma música ao fundo, uma baladinha meio "bonitinha" demais. Quando finalmente a bateria do mp4 se exauriu, Sônia e eu não poderíamos mais disputar quem conhecia mais músicas do Sondre Lerche e usar seus versos para se expressar. Era uma competição meio infundada, mas enfim ela se calou. Percebi meus olhos fechados uma última vez, e no ímpeto de abrí-los novamente para "ver" se estava eu dormindo de verdade, toca o gongo. Desperta o despertador. Quando eu achava que tinha triunfado... Sônia não estava mais lá para ver. Acordei para o dia, aturável como os outros, na esperança de encontrar a cura para os meus problemas.
20 de dez. de 2009
Horóscopo de hoje
Eu sempre leio o horóscopo do dia antes de dormir, cética do jeito que sou mas habituada com minhas manias. Ainda mais em dia de vestibular, o horóscopo de domingo tem de esperar, mesmo sendo o mais aguardado da semana. Eis o motivo sintetizado pelo horóscopo de hoje, dia 20:
"Libra
Atenção com palavras ditas sem reflexão. Elas podem causar mais transtornos do que você imagina. Evite controvérsias e assuntos que você não conhece bem. Mantenha suas opiniões restritas a questões práticas e sem maiores envolvimentos."
Segunda fase hoje da UFF deu ruim, hein...
19 de dez. de 2009
Tipo um 'Bluetooth'...
Às vezes penso nele, é inevitável. Mais do que às vezes, até. Tem uma certa regularidade nisso que arrasta grandes reflexões para o limbo dos pensamentos, o "depois". Às vezes - agora está certo - às vezes, mesmo quando estou pensando avidamente em algo ele me surge à mente, inconsequente. Entre o deslocamento do equilíbrio e a alteração do pH, ele aparece embaralhado no meio com concentrações e constantes. Logo ele, que de tão inconstante surge a qualquer hora do dia amarrado em qualquer assunto. Eu tento mesmo ocupar a cabeça com outras coisas, mas é tão inevitável como um tropeço, ainda mais quando se têm vários pensamentos em mãos. Uma vez esparramados, organizá-los é tão complicado que acabo jogando tudo ao limbo do "depois".
Em consequência a essa fatalidade, criei também uma trôpega teoria (baseada em experiências pessoais), uma que qualquer apaixonado adoraria acreditar. Quando não se é correspondido, pensar naquela pessoa é como se lembrar de algo que não aconteceu e você sabe que não tem fundo algum de verdade naquilo. Mas quando se sabe que é correspondido, algo ali deixa de ser tão absurdo para dar um gostinho de como poderia ser a realidade. Gosto de pensar como na Lei da Ação e Reação de Newton, quando todo pensamento tem a mesma intensidade e age em sentidos opostos entre os dois corpos distintos; e mesmo que um se sinta atraído, o outro pode optar por não corresponder a essa "força" e lutar contra (embora vá tratar o outro com um pouco mais de cuidado). É isso que quero dizer com "pescar intenções no ar", geralmente. Quantas vezes já não me senti odiada, e no ímpeto de odiar em recíproca antipatia? Quantas vezes já não me senti vaidosamente lisonjeada em ser "cortejada" por pessoas que sequer me interessavam?
Acredito que as pessoas podem sentir as vibrações dos pensamentos, ninguém está seguro dentro de sua mente quando perto de alguém ultra-sensível pra essas coisas. Sei lá se posso chamar isso de ligação cósmica, kármica, essencial... só sei que explicaria acidentais desvios de pensamentos sérios até mesmo quando se está concentrado neles. E explicaria mais ainda a genialidade de algumas pessoas adivinharem o que outras íntimas a essas estão pensando ou sentindo, mesmo sem muitas expressões faciais, palavras ou gestos.
É fácil preencher a mente com pensamentos espontâneos enquanto não se pensa em nada de importante, mas pensar nele até mesmo quando se está com a cabeça ocupada? E se toda vez que me sinto arrebatada fora de hora por um beijo de vento seria porque ele está pensando no mesmo? E se toda vez que penso nele de mente vazia, espontânea como reprodução assexuada, ele é invadido pelas minhas intenções, mesmo a quilômetros de distância? Não seria fantástico se não fosse apenas uma teoria?!
Quem precisa de conexão wireless ou detetive pessoal depois dessa, hein? rsrsrs
Em consequência a essa fatalidade, criei também uma trôpega teoria (baseada em experiências pessoais), uma que qualquer apaixonado adoraria acreditar. Quando não se é correspondido, pensar naquela pessoa é como se lembrar de algo que não aconteceu e você sabe que não tem fundo algum de verdade naquilo. Mas quando se sabe que é correspondido, algo ali deixa de ser tão absurdo para dar um gostinho de como poderia ser a realidade. Gosto de pensar como na Lei da Ação e Reação de Newton, quando todo pensamento tem a mesma intensidade e age em sentidos opostos entre os dois corpos distintos; e mesmo que um se sinta atraído, o outro pode optar por não corresponder a essa "força" e lutar contra (embora vá tratar o outro com um pouco mais de cuidado). É isso que quero dizer com "pescar intenções no ar", geralmente. Quantas vezes já não me senti odiada, e no ímpeto de odiar em recíproca antipatia? Quantas vezes já não me senti vaidosamente lisonjeada em ser "cortejada" por pessoas que sequer me interessavam?
Acredito que as pessoas podem sentir as vibrações dos pensamentos, ninguém está seguro dentro de sua mente quando perto de alguém ultra-sensível pra essas coisas. Sei lá se posso chamar isso de ligação cósmica, kármica, essencial... só sei que explicaria acidentais desvios de pensamentos sérios até mesmo quando se está concentrado neles. E explicaria mais ainda a genialidade de algumas pessoas adivinharem o que outras íntimas a essas estão pensando ou sentindo, mesmo sem muitas expressões faciais, palavras ou gestos.
É fácil preencher a mente com pensamentos espontâneos enquanto não se pensa em nada de importante, mas pensar nele até mesmo quando se está com a cabeça ocupada? E se toda vez que me sinto arrebatada fora de hora por um beijo de vento seria porque ele está pensando no mesmo? E se toda vez que penso nele de mente vazia, espontânea como reprodução assexuada, ele é invadido pelas minhas intenções, mesmo a quilômetros de distância? Não seria fantástico se não fosse apenas uma teoria?!
Quem precisa de conexão wireless ou detetive pessoal depois dessa, hein? rsrsrs
17 de dez. de 2009
Sobre o meu Bacharelado
Essa semana foi engraçada. Me formei, ri quando pensei que aquela seria a última vez que usaria aquele uniforme. Agora tenho que gastar mais tempo do que o normal escolhendo as roupas pro dia-a-dia, o que me irrita profundamente. Mas ainda assim... ter esse poder de escolha é um alívio.
Essa semana descobri que não quero entrar na universidade ainda. Não seria justo passar no vestibular, nem que fosse raspando na reclassificação para o segundo semestre; tem tanta gente tentando a muito mais tempo e estudando com muito mais vigor do que eu. Tem tanta coisa que eu acho que poderia fazer o resto da vida mas não sei se alguma delas é minha vocação. Verdade seja dita, sei bem quais as pessoas que podem me revelar isso, e daria todo o tempo do mundo para passar mais tempo ao lado das mesmas. Há motivos mais nobres do que esse para não se querer entrar na faculdade ainda, mas esse ainda é o mais sincero.
Entretanto, mudar a relação com as pessoas de sempre é fascinante, talvez eu não devesse ficar sonhando em girar a Terra pra trás. Com a formatura, os amigos próximos aprendem a regular as distâncias que os separam, os professores não fazem mais questão de manter uma distância segura dos alunos, a escola se torna uma escala opcional nas idas ao Centro da cidade. Essas mudanças são exatamente como imaginei que seriam.
Enquanto aluna as coisas são (e devem ser mesmo) um pouco diferentes. Tudo é mais artificial, desde o coleguinha que se veste cheio de correntes e fala palavrão ao professor brincalhão que evita conversar nos corredores. A forma como o cotidiano se desenrola dentro da escola, mesmo que não seja autêntico, busca apenas a eficiência do sistema educacional, e nada mais. Alguém ensina, alguém aprende; conteúdo não se perde, passa despercebido. E não poderia ser de outro jeito, caso contrário não seria uma escola, mas dá a impressão que sua vida só acontece ali dentro, e que ninguém vive lá fora - principalmente os professores. Racionalmente, eu sabia que isso era impossível, mas ainda assim era afetada no meu modo de agir.
Mas quando chega o fim do ano, e no meio da correria que já presenciara nos anos anteriores alguém inesperado te pára no corredor para conversar sobre futilidades, aquele baque estala nos tímpanos feito tapa: há mais vida aqui dentro do que já pude imaginar, e tudo isso não é exportado daqui, mas importado da vida muito mais abundante que deve existir lá fora. Soa ridículo, não?
Caramba, imagine as pessoas dali lembrarem de você não pela sua turma ou seu número ou sua nota no teste de quarta-feira, mas se lembrarem pelo nome! Te reconhecerem por aí sem o uniforme! Tudo bem que os calouros ainda se lembrarão de alguns detalhes de sua vida acadêmica, mas você vai continuar ignorando eles da mesma forma (rsrs)
Vai por mim, ser Bacharel em Ciências e Letras é o máximo! rs
Ênfase: o cara que usou por 3 anos em nossas conversas vocativos generalizantes como "você", "ei" ou "mulé" falou DUUUUUAS vezes meu nome em uma mesma frase quando fui me despedir dele na formatura. Memorabilíssimo!
hauahuhuahuua
Essa semana descobri que não quero entrar na universidade ainda. Não seria justo passar no vestibular, nem que fosse raspando na reclassificação para o segundo semestre; tem tanta gente tentando a muito mais tempo e estudando com muito mais vigor do que eu. Tem tanta coisa que eu acho que poderia fazer o resto da vida mas não sei se alguma delas é minha vocação. Verdade seja dita, sei bem quais as pessoas que podem me revelar isso, e daria todo o tempo do mundo para passar mais tempo ao lado das mesmas. Há motivos mais nobres do que esse para não se querer entrar na faculdade ainda, mas esse ainda é o mais sincero.
Entretanto, mudar a relação com as pessoas de sempre é fascinante, talvez eu não devesse ficar sonhando em girar a Terra pra trás. Com a formatura, os amigos próximos aprendem a regular as distâncias que os separam, os professores não fazem mais questão de manter uma distância segura dos alunos, a escola se torna uma escala opcional nas idas ao Centro da cidade. Essas mudanças são exatamente como imaginei que seriam.
Enquanto aluna as coisas são (e devem ser mesmo) um pouco diferentes. Tudo é mais artificial, desde o coleguinha que se veste cheio de correntes e fala palavrão ao professor brincalhão que evita conversar nos corredores. A forma como o cotidiano se desenrola dentro da escola, mesmo que não seja autêntico, busca apenas a eficiência do sistema educacional, e nada mais. Alguém ensina, alguém aprende; conteúdo não se perde, passa despercebido. E não poderia ser de outro jeito, caso contrário não seria uma escola, mas dá a impressão que sua vida só acontece ali dentro, e que ninguém vive lá fora - principalmente os professores. Racionalmente, eu sabia que isso era impossível, mas ainda assim era afetada no meu modo de agir.
Mas quando chega o fim do ano, e no meio da correria que já presenciara nos anos anteriores alguém inesperado te pára no corredor para conversar sobre futilidades, aquele baque estala nos tímpanos feito tapa: há mais vida aqui dentro do que já pude imaginar, e tudo isso não é exportado daqui, mas importado da vida muito mais abundante que deve existir lá fora. Soa ridículo, não?
Caramba, imagine as pessoas dali lembrarem de você não pela sua turma ou seu número ou sua nota no teste de quarta-feira, mas se lembrarem pelo nome! Te reconhecerem por aí sem o uniforme! Tudo bem que os calouros ainda se lembrarão de alguns detalhes de sua vida acadêmica, mas você vai continuar ignorando eles da mesma forma (rsrs)
Vai por mim, ser Bacharel em Ciências e Letras é o máximo! rs
Ênfase: o cara que usou por 3 anos em nossas conversas vocativos generalizantes como "você", "ei" ou "mulé" falou DUUUUUAS vezes meu nome em uma mesma frase quando fui me despedir dele na formatura. Memorabilíssimo!
hauahuhuahuua
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