Essa semana foi engraçada. Me formei, ri quando pensei que aquela seria a última vez que usaria aquele uniforme. Agora tenho que gastar mais tempo do que o normal escolhendo as roupas pro dia-a-dia, o que me irrita profundamente. Mas ainda assim... ter esse poder de escolha é um alívio.
Essa semana descobri que não quero entrar na universidade ainda. Não seria justo passar no vestibular, nem que fosse raspando na reclassificação para o segundo semestre; tem tanta gente tentando a muito mais tempo e estudando com muito mais vigor do que eu. Tem tanta coisa que eu acho que poderia fazer o resto da vida mas não sei se alguma delas é minha vocação. Verdade seja dita, sei bem quais as pessoas que podem me revelar isso, e daria todo o tempo do mundo para passar mais tempo ao lado das mesmas. Há motivos mais nobres do que esse para não se querer entrar na faculdade ainda, mas esse ainda é o mais sincero.
Entretanto, mudar a relação com as pessoas de sempre é fascinante, talvez eu não devesse ficar sonhando em girar a Terra pra trás. Com a formatura, os amigos próximos aprendem a regular as distâncias que os separam, os professores não fazem mais questão de manter uma distância segura dos alunos, a escola se torna uma escala opcional nas idas ao Centro da cidade. Essas mudanças são exatamente como imaginei que seriam.
Enquanto aluna as coisas são (e devem ser mesmo) um pouco diferentes. Tudo é mais artificial, desde o coleguinha que se veste cheio de correntes e fala palavrão ao professor brincalhão que evita conversar nos corredores. A forma como o cotidiano se desenrola dentro da escola, mesmo que não seja autêntico, busca apenas a eficiência do sistema educacional, e nada mais. Alguém ensina, alguém aprende; conteúdo não se perde, passa despercebido. E não poderia ser de outro jeito, caso contrário não seria uma escola, mas dá a impressão que sua vida só acontece ali dentro, e que ninguém vive lá fora - principalmente os professores. Racionalmente, eu sabia que isso era impossível, mas ainda assim era afetada no meu modo de agir.
Mas quando chega o fim do ano, e no meio da correria que já presenciara nos anos anteriores alguém inesperado te pára no corredor para conversar sobre futilidades, aquele baque estala nos tímpanos feito tapa: há mais vida aqui dentro do que já pude imaginar, e tudo isso não é exportado daqui, mas importado da vida muito mais abundante que deve existir lá fora. Soa ridículo, não?
Caramba, imagine as pessoas dali lembrarem de você não pela sua turma ou seu número ou sua nota no teste de quarta-feira, mas se lembrarem pelo nome! Te reconhecerem por aí sem o uniforme! Tudo bem que os calouros ainda se lembrarão de alguns detalhes de sua vida acadêmica, mas você vai continuar ignorando eles da mesma forma (rsrs)
Vai por mim, ser Bacharel em Ciências e Letras é o máximo! rs
Ênfase: o cara que usou por 3 anos em nossas conversas vocativos generalizantes como "você", "ei" ou "mulé" falou DUUUUUAS vezes meu nome em uma mesma frase quando fui me despedir dele na formatura. Memorabilíssimo!
hauahuhuahuua
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