19 de dez. de 2009

Tipo um 'Bluetooth'...

Às vezes penso nele, é inevitável. Mais do que às vezes, até. Tem uma certa regularidade nisso que arrasta grandes reflexões para o limbo dos pensamentos, o "depois". Às vezes - agora está certo - às vezes, mesmo quando estou pensando avidamente em algo ele me surge à mente, inconsequente. Entre o deslocamento do equilíbrio e a alteração do pH, ele aparece embaralhado no meio com concentrações e constantes. Logo ele, que de tão inconstante surge a qualquer hora do dia amarrado em qualquer assunto. Eu tento mesmo ocupar a cabeça com outras coisas, mas é tão inevitável como um tropeço, ainda mais quando se têm vários pensamentos em mãos. Uma vez esparramados, organizá-los é tão complicado que acabo jogando tudo ao limbo do "depois".
Em consequência a essa fatalidade, criei também uma trôpega teoria (baseada em experiências pessoais), uma que qualquer apaixonado adoraria acreditar. Quando não se é correspondido, pensar naquela pessoa é como se lembrar de algo que não aconteceu e você sabe que não tem fundo algum de verdade naquilo. Mas quando se sabe que é correspondido, algo ali deixa de ser tão absurdo para dar um gostinho de como poderia ser a realidade. Gosto de pensar como na Lei da Ação e Reação de Newton, quando todo pensamento tem a mesma intensidade e age em sentidos opostos entre os dois corpos distintos; e mesmo que um se sinta atraído, o outro pode optar por não corresponder a essa "força" e lutar contra (embora vá tratar o outro com um pouco mais de cuidado). É isso que quero dizer com "pescar intenções no ar", geralmente. Quantas vezes já não me senti odiada, e no ímpeto de odiar em recíproca antipatia? Quantas vezes já não me senti vaidosamente lisonjeada em ser "cortejada" por pessoas que sequer me interessavam?
Acredito que as pessoas podem sentir as vibrações dos pensamentos, ninguém está seguro dentro de sua mente quando perto de alguém ultra-sensível pra essas coisas. Sei lá se posso chamar isso de ligação cósmica, kármica, essencial... só sei que explicaria acidentais desvios de pensamentos sérios até mesmo quando se está concentrado neles. E explicaria mais ainda a genialidade de algumas pessoas adivinharem o que outras íntimas a essas estão pensando ou sentindo, mesmo sem muitas expressões faciais, palavras ou gestos.
É fácil preencher a mente com pensamentos espontâneos enquanto não se pensa em nada de importante, mas pensar nele até mesmo quando se está com a cabeça ocupada? E se toda vez que me sinto arrebatada fora de hora por um beijo de vento seria porque ele está pensando no mesmo? E se toda vez que penso nele de mente vazia, espontânea como reprodução assexuada, ele é invadido pelas minhas intenções, mesmo a quilômetros de distância? Não seria fantástico se não fosse apenas uma teoria?!
Quem precisa de conexão wireless ou detetive pessoal depois dessa, hein? rsrsrs

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