Hoje voltei onde o vi pela última vez. No meu peito parecia pulsar geléia.
Meu irmão disse que a gente se veria de novo nos lugares mais improváveis, só para matar as saudades. Minha mãe disse que isso passa. Meu pai disse que pressentiu algo estranho naquela tarde, enquanto eu tirava fotos dele.
Os outros não dizem nada. Também não comento com eles. Quem iria entender que é quase insuportável, e que não era apenas isso? Não é algo que se compre! Não é menos do que qualquer outra pessoa!
Todo terceiro dia do mês será lembrado, desde o primeiro ao último abraço daquela vez. E é tamanha a intensidade que eu não quero aguentar esse tipo de coisa tão passivamente. Sofrer calada já fez muito barulho, e nem precisava. Quero ir até o fim, mesmo sabendo que não há sentido algum nisso.
Meu luto tem muito mais do que cinco estágios. E não, eu não quero outro cachorro.
Lindo e triste texto.
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