A partir do dia 16 estarei fora de órbita. Com a cabeça na Lua. A vontade de jogar tudo para o alto sempre me tentou muito, e agora que tenho a possibilidade de finalmente fazê-lo, tudo o que posso fazer é esperar que eu não me perca no caminho, ou que pelo menos saiba encontrar o caminho de volta.
Serão sucessivas viagens, acho que nem tenho roupa para montar cada mala! Estou tão ansiosa!
Gosto de pensar nelas como uma só, mas sei que cada uma terá um significado diferente: a primeira, expandir fronteiras, horizontes, perspectivas para o futuro; a segunda, assentar laços do passado e apaziguar a saudade; e a terceira, viver o presente ao máximo, porque é nisso que um ser de 17 anos deveria estar pensando agora, certo?
Não sei o que acontece de verdade, mas eu sinto uma vontade imensa de abandonar as coisas enquanto ainda posso ou me atar a elas o mais rápido possível. (Às vezes me acho extremista demais para uma libriana rs.) Tem dias que tudo o que eu quero é um lugar diferente, gente diferente, roupas diferentes, clima (principalmente o clima!) diferente. Não acho que tenha nascido mochileira, nem que tenha um espírito aventureiro enjaulado sob as peles de uma vestibulanda, mas algo inexplicável acontece... "uma coisa acontece no meu coração" (Y)
Não sei se é assim com todo mundo, mas eu viajo várias vezes para um mesmo lugar da mesma forma que assisto aos mesmos filmes várias e várias vezes e ainda sim me sinto diferente, mudada. A "vibe" do lugar é a mesma, as pessoas as mesmas de outras visitas (ou pelo menos muito parecidas), e minha busca por algo mais sempre a mesma. Às vezes até o decorrer dos fatos é o mesmo! Mas parece que alguma partícula se excita em meu peito, se adensa, cresce, se contorce ou se remói toda, e aqui dentro tudo parece diferente. O jeito que amei, odiei ou simplesmente pensei a respeito das coisas até aquele novo dia parece completamente obsoleto e equivocado. As pessoas parecem se comportar diferente aos meus olhos. E tudo o que sobra é uma vaga lembrança de como era antes, e a certeza de como não poderia voltar a ser o mesmo.
Eu sinto necessidade de viajar às vezes. Muitas vezes. Às vezes esqueço o celular em casa de propósito, e saio andando. Quando sei que fatalmente me sentirei sozinha nesses lapsos, levo a Lua na guia. Mas isso não é a mesma coisa que saber que você está respirando um novo aroma, inalando o ar longe de casa. Só o significado de "casa" implica em voltar, então por que não passar tempo o suficiente longe para sentir falta ao invés de se sentir enjaulado?
O primeiro pensamento que me veio quando escolhi Medicina como carreira "para quando crescer" foi que a Cruz Vermelha era o máximo, e que os Médicos sem Fronteiras que sabiam das coisas, não um repórter qualquer enviado pela emissora (aquele que se sente todo politizado e bem-informado só por estar onde a notícia está acontecendo). Lógico que meus pais não sabem disso... Também, pudera! Disse que queria um empréstimo para comprar uma câmera DTSC pois queria ter algum instrumento para aprender a manusear fotografias e para levar nessas 3 viagens que mencionei, eles disseram que logo eu ia desistir da idéia, e deixar a câmera "jogada". Eu também tive medo que isso pudesse acontecer, 2 anos atrás! Nem um namorado meu teve um relacionamento comigo que durasse nem um quarto disso! Se eu apenas brincasse a respeito de querer trabalhar na Cruz Vermelha, eles vão dizer que não tenho a maturidade que esperavam que eu tivesse, e que na minha idade já etc, etc, etc. E adivinha quem NÃO vai escolher a cor do próprio quarto na próxima reforma?
(À propósito, uma das coisas que me fez ponderar sobre comprar um câmera "séria" é que nessas fotos de viagens... dá pra notar as diferenças no meu olhar para as coisas... bom, pelo menos eu noto rs e relembro como as partículas em meu peito se sentem a respeito daquele lugar.)
Não sei por que as pessoas repreendem tanto as que querem respirar novos ares, experimentar novas sensações. Não é irresponsabilidade nem imaturidade querer apenas o "novo", em toda a amplitude da palavra. E olha que eu nem sou uma pessoa tão avessa à rotina assim!
Enfim, entre 16 e algum dia fevereiro não haverão posts, mas talvez eu leve um caderno comigo. Meu velho diário deve sentir saudades disso, desde que o troquei pela tecnologia infernal da web. Espero que dê para publicar alguma coisa, para compensar o tempo ausente. A única coisa que sei a respeito dessa viagem é que temo o quanto, mas espero voltar um tanto diferente.
Nem todo mundo tem coragem de ser livre, Lia. Você é como um pássaro, deixa a todos que estão presos à terra com aquele aperto no peito por terem essas asas atrofiadas e feias.
ResponderExcluirEspero que tenha uma grande viagem sem esquecer de antes, obviamente, escrever meu verso de aniversário!
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