O perigo dorme no quarto ao lado. Um dia você chega em casa e está tudo diferente. Palavras haviam sido ditas e ainda reverberavam nas paredes, embora já tivessem se posto atrás da mobília mais próxima. O dia se levantou nessa casa, mas os afazeres se deitaram feito poeira. O perigo se impôs em frente à TV, se sentou à mesa de jantar e deixou as luzes ligadas ao passar.
O perigo, pronto para despertar, recolhe sua magnitude calado, talvez sem estar ciente de si ainda. O perigo é a restrição passeando pelos cômodos. Deixa as horas passarem, se fecha no escritório. O perigo mastiga suas palavras como o pai que roda o chinelo nas mãos. Para bater e deixar sua marca.
O perigo assusta, toma de assalto e doma.
ResponderExcluirExcelente!