13 de mar. de 2010

Só mais 5 minutos...

Vivemos na era da precocidade, da infante genialidade, da pré-determinação de um futuro.  Quem não se sente tragado pela correnteza ao ver o tempo passar, aparentemente sem ter nenhuma grande realização para mostrar para todo mundo? Vivemos sob a lei do Mínimo Esforço, do sábio proveito do trabalho e do próprio tempo, muito embora a expectativa de vida de grande parte da população tenha crescido drasticamente. Tempo parece sempre ser o problema, mesmo quando não é.
Se até os 19 anos eu não me igualar a Victor Araújo, posso considerar as aulas de piano sem futuro. Se tiver de tentar o vestibular uma 3ª vez, posso me considerar uma causa perdida. Se aos 25 eu não tiver um emprego fixo, do qual meus pais encham a boca para falar sobre, posso me considerar deserdada. Se até os 30 anos não me casar, posso me considerar solteirona. Se aos 40 anos não tiver um filho, posso me considerar infértil. Se aos 60 eu não souber cozinhar aquele prato, posso me considerar indigna de netos.
Eu poderia deixar tudo acontecer no exato momento em que as coisas quiserem acontecer para mim, mas se o fizer, não chamarei a atenção, não terei lugar de destaque, não serei exemplo de ninguém nem exceção à regra. Mesmo que me saia bem nesse processo.
Quem comentaria sobre o mediano estudante, o razoável pianista, o médico que se formou no ano previsto, a mãe que deu à luz na mesma época que todas as suas amigas? E quem comentaria positivamente sobre alguém fora de seu tempo? É piada!
Não à toa esperam que no Ensino Médio já saibamos em qual carreira nos destacaremos como brilhantes profissionais. Desdenham, mas esperam mesmo que os jovens de hoje mudem o mundo. Melhor: que sejam tão poderosos a ponto de dominar o mundo. E sirvam de exemplo, dêem palestras por aí. Que sejam donos de um império, ou de pelo menos uma rede de supermercados. Porque sucesso absoluto se define pela máxima conquista dividida pelo mínimo tempo de carreira, de trabalho, de esforço.
Porque se a gente não se destacar pela precocidade de nossas conquistas - mesmo que a imaturidade não permita a devida responsabilidade -, pelo que seremos lembrados? Por quem seremos considerados sagazes? E é aí, no ponto que dói, que desperta o desespero. O tempo eventualmente vai nos atropelar, mesmo que o tempo em si não seja o problema.


Francamente, você espera que seu filho de 5 anos responda com seriedade o que quer ser quando crescer? Eu queria mesmo era andar pendurada no caminhão de lixo! E se eu pudesse, naquela época já teria dito para não esperarem muito de mim, não...

Um comentário:

  1. você traduziu bem as ansiedades de grande parte das pessoas com idade em torno da nossa,acredito eu.

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