Cara, sem vontade nenhuma de escrever, vivendo num mundo sem metáforas... Esses dias o professor deu a dica pra identificá-las no texto, na vida, seu conceito... De boa, metáforas só existem pra tornar as coisas mais toleráveis... Mas claro que se eu levantasse o braço pra dizer isso numa sala de 70 alunos (sim! uns 40 devem ter sido reclassificados pela UFRJ!), um cerco de isolamento se formaria ao meu redor.
É como ter o seu "pulo do gato", mas justo quando imerso na areia. E não é o tempo que se desperdiça, isso se tem de sobra. Não é o momento, não é a vontade investida. Se desperdiça a vida.
O desapontamento é capaz de reeditar o passado com mãos macabras. Gota a gota as memórias vão se fundindo e perdendo as cores. As mesmas memórias que te davam forças antes e alimentaram seus desejos se amarram umas às outras, perdem o sentido até virarem uma poça escura de desperdício, como as tintas que se misturam e escorrem da palheta de cores.
Quando dentro do tubo, as infinitas possibilidades que podemos pintar do nosso jeito são ainda vibrantes e pastosas. Mas uma vez do lado de fora, tem prazo de validade, tudo seca.
Cada tentativa é só sua, e cada falha parece inconcebível para um passado tão doce. Os rostos dos outros dias vividos se fecham. Tudo deixa de parecer o que sempre foi. O passado vira outro, e não ressuscita o dia de hoje.
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