4 de abr. de 2010

Púrpura

Um dia conheci uma menina cor de areia de praia, ou de miolo de pão. Uma menina doce, de sorriso alvo e palavras contidas. Eu morria de medo de lhe falar e de romper sua candura com minha insensibilidade, porque ela me parecia uma chama sem cor que eu poderia afastar com o sopro de minha voz. Assim, observei-a de longe por muito tempo.
Houve um dia, não sei bem porquê, o vento a trouxe até mim de novo. Eu sentia que meus segredos não escapariam por um suspiro seu, e que de certa forma, ela me revelava seus mistérios com a suavidade que lhe é única. Sua naturalidade parecia desinibir qualquer segredo, da mesma forma que suas palavras haviam lhe dado novas cores. Ela sempre fora tão gentil comigo, tão aconchegante com suas palavras, mas sempre terá tons frios. Ela tem nome de heroína, de musa, mas parece guardar só para si uma dorzinha latente, que só outro dia pude perceber em sua voz, num lapso entre um riso e um suspiro. Ela, que me encoraja a resguardar minhas palavras até a maturação adequada, não gosta de falar de si mesma, portanto nunca lhe perguntei.
Ela vive em um mundo idílico, capaz de inspirar até em mim a sensibilidade de uma poesia, e que conferiu sentido ao seu temperamento de todo amável, que antes me parecia impossível de um ser humano. Contudo, ainda não consigo aceitar que por trás de toda a sua candura e suas diversas cores haja o mínimo vestígio de qualquer obscuridade.
Por isso, se eu pudesse te dar uma cor, te daria a cor da inspiração, da transformação e da intuição espiritual. Eu te daria um mundo inteiro púrpura.

Hihi, essa menina é pura poesia.

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