Às vezes me esqueço que quando eu baixar os dedos sobre as teclas, o que acontece depois não traz consigo o som que quero ouvir. Mas alguma coisa há de acontecer, invariavelmente.
Minhas falanges encolheram, meus vasos adentraram na carne. Minhas unhas crescem sem sentido, rumo ao vazio que me beira. Hoje perdi as estribeiras, de repente dei tantas voltas sobre o eixo que acho que estanquei o fio de vida. As gotas de futuro que me preenchiam viajavam por uma reta, escorrendo e transpassando o mármore de minha pele. Mas as vozes dessa manhã transbordam em cheio no meu ego, e o futuro nunca chega.
Queria eu dar vazão a todo o sentido que o dia de hoje teve. Até parece que só eu sei o quanto. Será que ninguém mais percebeu?
Trilha do dia: Busride, de Ry Cooder
The Point of No Return também é uma boa pedida... rs
Unhas crescem no sentido ao vazio que me beira... é um ótimo jogo de sentidos
ResponderExcluirPercebem, mas também não encontram palavras além destas tuas.
ResponderExcluirMuito bom!
"E o futuro nunca chega."
ResponderExcluirTenho essa impressão às vezes. Mas penso também que,quando o futuro chegar, vou achar que o passado passou rápido demais. E aí,não vai haver cacofonia que dê jeito.