a gola da camisa amassada
brincava com o pescoço magro
que encobria sem cobrir
que vestia sem vestir
sambava e expunha um corpo
que mal preenchia um abraço
mas que se interpunha sem ruir
sua delgada presença
execrava a curvada idade
que pesavam de seus óculos robustos
e assim era
olhos brilhantes, cabelos brutos
caudalosos, lábios carnosos
emoldurando um sorriso esguio
debaixo dos pêlos curtos da face
um único ombro desnudo
ainda escapa desse invólucro mordaz
que perdeu o último botão
(ou o primeiro,
tanto fez como tanto faz!),
que importa, se esse pescoço ninguém laça
se teu rosto ninguém sombreia
se tua voz não se acoleira
ele é livre
para se despir
para se interpor
e emoldurar sua presença
estreita
e magra.
Música para os meus ouvidos ;___;
ResponderExcluirafinal, o que querem os homens?
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