Me sinto superior ao transeunte, pois leio poesia e sou sensível ao que se opõe aos meus olhos. Eu acho que enxergo além, porque os versos me permitem ver mais longe do que o aqui e o agora.
Mas só enxergo o que sou capaz de imaginar. Não é? Porque se esses versos me falassem de alguma outra coisa que eu nunca tivesse presenciado, eu não os entenderia, e seriam só palavras. A poesia é pobre em suas emaranhadas palavras.
A poesia me projeta para longe, onde só eu posso olhar; e embaça o que tenho bem diante do rosto, abaixo dos olhos e acima do nariz. Quanto que se deixa passar enquanto monta seus versinhos amados? O que acontece aqui quando sua mente está lá não é da sua conta. O que um homem da terra sabe mais do que um letrado? Ele pode até falar que nós vai, mas desde que saiba para onde está indo é sinal de alguma perspectiva. Mas o homem letrado não, vive numa rosca - tão pouco sabe de si, e menos ainda do que lhe é alheio; só suporta o que lhe é palpável -, esse vai para todas as direções ao mesmo tempo, se gabando do próprio diâmetro.
Se todos lessem poesia, o mundo seria mascarado, encoberto por lençóis brancos a suavizar os problemas até que se tornassem táteis.
Disse um outro poeta - e esse só operava sob LSD-: experiência não é o que acontece a um homem, é o que um homem faz com o que lhe acontece.
Baseado, quase que clonado desse post aqui: Afeto Literário
Os poetas dizem um monte de fingimentos, como alertou Fernando Pessoa.
ResponderExcluirComo eu disse no afeto literário, faz soar como se a arte fosse um atenuante da vida, quando eu penso que ela não deve nada a ninguém, mas o que lhe querem extrair.
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