Devo desculpas, a qualquer um que venha a ler isso e a mim mesma, pois é sempre um saco ler algo que não vai acrescentar nenhuma poesia na sua vida. Enfim... é só um desabafo... os bons textos estão no post anterior, faça-se à vontade.
Parei de tirar fotos. Parei de ir ao cinema. Parei de tocar piano. Parei no tempo. Estou no "hold".
Em meados de fevereiro me disseram que eu andava meio vazia, sem emoção em relação a qualquer coisa, indiferente. Sei lá, só lembro que discordei educadamente e mudamos de assunto. No fundo eu entendi o que havia de ser dito, já que eu não enxergava sozinha, mas não podia fraquejar logo antes de começar o ano letivo. Popularmente, "fui levando".
Eu costumava culpar aos outros por tirarem de mim pedacinho por pedacinho, e costumava buscar nos amigos mais próximos algum vestígio de quem eu era antes de alguma catástrofe pessoal, ou eventual falta de tato mesmo. Meus amigos sempre foram meu ponto de partida, independentemente de onde eu estivesse vindo.
Mas agora que estou longe deles, é como se eu estivesse camuflada. Não sei as coisas que gosto, nada me dá vontade, não lembro o que eu estava a fim de comer... São várias pequeníssimas coisitas que fazem você se sentir... você. Sabe? Se você pudesse fazer qualquer coisa agora, com qualquer pessoa em qualquer lugar, você tem uma mínima idéia, certo? Pois bem...
Às vezes eu acho que pulei muitas etapas, dei passos lentos sobre abismos distraída com o suspense de chegar ou não ao outro lado. Acho que observei demais, e aprendi coisas muito rápido, atravessei abismos sem perscrutá-los. O passe-livre que eu tinha pra fazer certas coisas não me acoberta mais, essas burradas que superei por tabela não são mais dignas da minha idade. Aprendi a lição sem errar, sem nem tentar, e acho que algo na didática não fixou bem o conhecimento.
Às vezes conheço sentimentos que nunca experimentei, e sei de coisas que nunca vi. Eu tentei passar isso pra uma poesia recentemente, mas não soube como. Eu culpo a leitura precoce, e a compreensão tardia do que estava realmente acontecendo. Se algum dia eu tive quinze anos, foi por uma semana. E bastou, porque quando uma vez provado o gosto da fruta, não se quer mais suco de caixinha. Eu quero a 'coisa' de fato, aquela que eu já degustei sem nunca ter provado. É difícil saber o que quer tão cedo, saber que vai ser doce ou amargo, saber das coisas antes das coisas despertarem.
Contudo, essa falta de mim, e excesso de coisas hipotéticas, me levou à conclusão de que o hiato atual está me regredindo, me colocando de volta ao meu lugar. Até as palavras me escapam! O vocabulário se dissipa em termos generalizantes e gírias que se assentam no diálogo despretensioso. O convívio com adolescentes fúteis e adultos bobos teve um efeito engraçado em mim. De repente vi como quem vê de fora a maior de minhas imaturidades: achar que sou mais madura que todo mundo. E me vejo sem vontade de fazer nada, de achar tudo muito difícil, de querer desistir... Mas a verdade é que não tenho nada a que me apegar, e dessa vez, nenhum ponto de partida para retomar.
Estou "on hold". Holding on.
Eu me identifiquei com diversas passagens do texto,mesmo.
ResponderExcluir