Eu preciso dizer alguma coisa. Hoje me ocorreu que é necessário escrever, não é algo que dá para parar agora se eu quisesse. E tanto Rilke como Ferreira Gullar dizem que esse é o primeiro passo para se tornar um escritor de peito, mas não acho que seja mais assim; acho que hoje, pra se tornar um escritor de peito, tem que ter peito pra largar tudo e dizer 'minha profissão será esta, es-cri-tor'. Na opinião deles, posso já ter dado o primeiro passo, mas não tenho peito.
Peito é uma palavra engraçada, mexe quase todos os músculos do maxilar e não há muito sotaque que lhe possa ser impresso. Rima com palavras interessantes também. Alguns aninhos atrás, falar em 'peito' seria tabu, e eu também teria uma lista para palavras engraçadas, e de coisas que eu queria na época.
Pois bem, peito.
Tenho passeado por aí de peito aberto, e muitas coisas tem passeado pelo meu peito. Tenho aprendido muitas coisas, e eliminado muitas que descobri que não quero. Tudo isso só para achar mais graça dos fatos, mesmo que agora eu não faça mais idéia do que eu quero.
Meu peito está dolorido, sim, como o de todo mundo que começa do zero. Era sobre isso que eu queria falar hoje, mas não sobram linhas pra tanta reclamação. Eu reclamo porque não sei o que fazer quando sei que algo precisa ser feito. É só isso que sei: que alguém tem de fazer alguma coisa. Nessas horas eu falo sério, e termino falando que preciso começar outra lista para não perder o fio da meada. Vai que esqueço o que quero?!
Saber é peito. Não é seio, é peito.
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu fizeram de carne, e sangra todo dia."
José Saramago
"Saber é peito." A síntese do escritor. Muito bom, de verdade!
ResponderExcluirAdorei, muito bom mesmo! :)
ResponderExcluirBeijoca