De repente, temi minha simplicidade porquanto um mundo que julga sem sentido as ações despropositadas. Temi minha simplicidade porque julgam aleatórias e vaidosas as coisas que não se compreende totalmente. Na verdade, temi que fosse julgada sob esse olhar infindo de mágoa e ciúme; talvez eu me encaixasse neste mundo por outros meios através dela, e alguns não tolerassem, ou terrivelmente o contrário: comprazeriam-se em ter-me desalojada. E simplesmente subestimassem o que é simples demais. Porque todo mundo quer sempre encontrar alguma novidade, e eu não tenho nenhuma. Eu sou só aquilo que lhes ensinaram quando criança, mas que aquilo que chamam de 'geração' aboliu. Imagine, pensam em gratuidade como uma troca sem dívida, um benefício 'de graça', destituindo toda a graça que uma gratuidade, por definição, merece ter!
Acho que é apenas isto: faz-se o que quiser sem esperar nada em troca, sem precisar de um motivo, de uma aceitação, de uma negociação. Faz-se o que tem vontade, quando tem vontade, sem culpar ninguém por isso; e as consequências, o destino e o mundo serão seus - seja lá o que isso signifique circunstancialmente. O único perigo é ferir as expectativas do cotidiano, que chamam de rotina, pois se pode ser visto como rebelde, excêntrico, vaidoso, vagabundo.
Acho que, por muito simples, sou mal interpretada.
E isso já não é novidade tamanha?
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