Ela tem um segredo, que por detrás de seus beijos e suas carícias pulula virulentamente. Sempre desconfiei que nesses olhos verdes habitava o mais discreto jardim, sorvendo cada uma das flores que cuidava secretamente em seu quarto.
Seu segredo me enaltece, de tal forma que eu adentraria faminto o seu mundo se não me fisgasse cada vez que lhe toco. Me castiga, mais me enamoro, me enlouquece de prazer cada vez que não o diz! Sua ingenuidade não permite construir esta idéia com palavras, temendo que eu fugisse por suas sebes como um animalzinho assustado; seria como lhe escapar por entre os dedos rijos e perfumados, a maneira mais mortal de drenar a graça de uma senhorita. Eu simplesmente não sei lhe dizer não!
Sob seu entendimento, sou a vítima da caçada que ela refreia, sou o coelho foragido preocupado com o tempo que se esgota. Como poderia tragar-me para seu mundo sem que estivesse predisposto a fazê-lo? Ela teima contra minha perspicácia, subestima minha lubricidade! Sou desbravador por natureza, o caçador de teus segredos, ostensor de teus desejos!
Aperta os lábios contra os meus, sorri sem jeito, toma-me os lençóis fingindo certo pudor, porque não há o que ser dito. Ela sabe que eu sei. Seu segredo a atormentará o juízo e cativará seu ciúmes a matizes delirantes, e só o que lhe peço é calma. Ela sabe que é verdade; e que a fragilidade desta não toleraria um confronto direto. A gente pode sempre falar de outra coisa, mas a cada beijo no rosto, a cada carícia na nuca e a cada proximidade dos olhares, ela terá sozinha um segredo. Ela gosta muito mais de mim.
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