Meooo! Acordei paulista pra caralho hoje. Abri os olhos, e lancei ao mundo: Vai fazer um puta sol, véi... Uma nuvem branca na minha janela, roseada nas bordas e prateada na imponência, fazia questão de espalhar os raios solares mundo afora, meu quarto adentro.
Levantei com um pulo já atrasada, no pique de quem sabe que a jornada será longa. Me arrumei limpando o quarto, organizando a mochila, preparando os afazeres do resto do dia.
Nem lembro de ter descido as escadas, como quem tropeça pra dentro de uma elevador e só acorda com a batida do portão na guarita.
Atrasada, fui em pé. Não precisei nem me apoiar nas barras, mais do que a condução em si quem me conduziam eram os outros passageiros. Fechei os olhos e contei as estações até a minha parada.
Mas como todo bom sonho paulista, começa na Paraíso e termina na Consolação. Acordei com o ônibus mais vazio, e o motor rosnando na subida da serra. Surfei nas favelas, nas suas curvas senoidais; mergulhei em mim helicoidal. Me vi na praia, logo em seguida, correndo ao lado da terceira idade, só que de rodas - assim ficou fácil chamá-los de preguiçosos. A maré alta trazia o lixo da Baía, denunciando aos olhos de quem passasse.
Fui dormir em Niterói, acordei em Sampa, e dei por mim em... São Gonçalo? Mais do que debaixo da ponte, nas entranhas do cimento, nas frestas do sistema educacional carioca.
[...]
O corte frio de uma lâmina até então desconhecida surge para me apartar dos sonhos. As frestas da persiana caem como guilhotinas, decepando a mente de quem ainda está lá fora. A partir daí, meu raciocínio já lento parecia um ônibus sanfonado; temia até parar no sinal e me atropelar.
O Sol subia fora e moda para todos. Irrigava as carteiras com o suor da classe a patir da 3ª aula. A graça era dormir até a metade da quarta, e levantar a carteira da cabeça com cara de proletariado. E vice-versa.
A graça era acordar em "Apocalypse Now" ao som dos ventiladores "pimpados" como turbinas de barco. O Vietnã estava no morro lá fora, à luz do céu profundo. Fulguram os pipocos no horizonte, agitando a imaginação dos alunos. Mas se nessa hora jazem no chão, é por pura coincidência, não se iluda. É só um simulado. Do ENEM ainda.
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