12 de out. de 2009

Paulo Nagai

Inesgotável riqueza na ausência de tudo.

Paulo Nagai



Às vezes a gente espera que nos dêem estrutura para que façamos o óbvio. Primeiro porque a preguiça faz com que nos sintamos injustiçados por ninguém oferecer um empurrão inicial; segundo porque o que se espera de nós deve ser de interesse mútuo, pois ninguém confiaria a nós qualquer tarefa que não pudesse concluir sem nossa ajuda.
E quando falta estrutura, às vezes a gente comete o crime de pensar que não é da nossa conta justamente por não podermos fazer nada enquanto o sistema não se fortalece por si só. A gente deixa de fazer o óbvio, o que esperam que façamos, e abandonamos até o senso comum, que diz pra não ficarmos inertes quando enfrentarmos dificuldades.
A situação ideal não cai no colo das pessoas assim, às quatro da tarde de uma terça-feira modorrenta. Nem sempre receberemos o incentivo que achamos merecido para embarcarmos na "empreitada". E às vezes, só às vezes, a gente consegue se perdoar por deixar uma oportunidade de trabalhar até a exaustão passar.
A vivência mais bonita que alguém pode ter, acredito que seja ver nascerem flores em lugares inóspitos. Onde ninguém espera, desabrochar beleza espontaneamente, sem causar mal nenhum. E depois da pioneira, ver várias outras tomarem coragem em seu exemplo - ciente de sua força mas sem intenção alguma de ser exemplo pra alguém. E juntas, flores florescerem no deserto, sem qualquer estrutura.



Acho que a lição mais valiosa que vou levar do CPII é essa, de não esperar por nada, ninguém, nem nada de ninguém. É triste, sólido, seco, mas é assim que é. Não dá pra ficar esperando que algum anjo lhe tome pelas mãos e ilumine sua mente com soluções brilhantes antes de lhe devolver ao chão.
Na ausência de paredes, dos seus professores 'diletos', de instalação elétrica adequada, de giz, de papel higiênico, de passes de ônibus no final do mês, de ventiladores no verão, de álcool gel, de tudo, praticamente, você presencia o inesperado: o desdobramento dos protagonistas dessa história fazerem de tudo para conquistar até as mínimas vitórias.

Parabéns aos professores, técnicos e alunos por tornarem essa instituição cada vez melhor (até mesmo aqueles que se queixaram um pouquinho, despindo o ato de qualquer atitude heróica).

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