Lá no pé da montanha, tem um mendigo encostado
Com um nó em um dos dedos atado
a içar novas manhãs
com corda de nylon sobre a Lua polida
- que era uma bola de chiclete de menta
do menino que inalava hélio e gasolina.
Lá no alto da montanha, tem um faroleiro acordado
que projeta sonhos dentro de cada quarto
E canta canções de amor no mês de maio
mas sofre em tom de despedida:
sempre tem um insone que não se contenta
e despreza tanto trabalho em amor à vida.
Lá no vale da montanha, tem um alfinete
que o vento escondeu
A pinçar estrelas no céu, a furar a atmosfera
sem que isso seja problema seu.
Cutuca a lona que nos reveste,
pinça a consciência de quem ainda não percebeu
que do outro lado só tem luz
e que não se teme o dia que ainda não nasceu.
Lá na crista da montanha, não tem nada
que já não fosse antes imaginado
Costumava ser pelada, antes do juízo popular
ser avacalhado
Tem, portanto, um monte de entulho
Tem tripé bambo, mulher-bagulho
que graças a Deus, daqui de baixo não se vê.
Exemplo de poema sem ritmo, musicalidade ou métrica rsrsrs
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