31 de mai. de 2010

Ensaio sobre ensaios

Tudo na vida é um ensaio para o ato. Um ato último, que nunca chega, para uma possível e plena realização antes do fim da vida.
E esse fim da vida que se aproxima...
Justamente por viver em função desse ato último que talvez não se perceba a beleza do processo em si. A vida é um ensaio sem avaliador, repleta de meios-termos a descrever esse processo. O beijo, o enroscar de línguas, o entrelaçar de dedos, o suave aperto contra o corpo e o suspiro ao pé do ouvido são metáforas que insinuam a penetração sexual, que por si só é sempre um ensaio para aprimorar a performance sexual diante do parceiro, até a exaustiva perfeição; os exercícios e simulados remetem a um vestibular, que por sua vez insinua uma avaliação apartidária ideal; a fé é um ensaio para o exercício pleno da espiritualidade, esta que simula  o contato pleno com o mundo ambiente.
Nada é o que parece ser, só está dentro de um processo para algo posterior. Exceto uma coisa.
Amar não é um sentimento, mas uma habilidade. E talvez por ser a própria realização plena de um relacionamento, me aborrece. Não sei o que fazer com aquilo, lapidado em mãos. Deixo-o escapar porque queria muito vê-lo se transfigurar em outra coisa mais última do que ele próprio. Não me satisfaz nem um pouco a idéia de algo que, ao atingir seu expoente máximo, só tende a se desgastar. Mas por outro lado, cansei de ensaiar sem saber ao certo se haverá mesmo uma estréia.
Meu deus, e esse fim da vida que se aproxima...

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