7 de nov. de 2009

Post piegas... rsrsrs

Cada mês do ano me lembra alguém. Krill, que gosta dos contos de Neil Gaiman (e tenho que admitir que são diferentes de qualquer coisa que já li), costumava me dizer que esse mesmo cara escreveu uma história como se os meses do ano fossem personagens, assim como faz com sentimentos abstratos nas histórias favoritas de meu coleguinha esquisito de classe.
Eu vou sentir falta do Krill, a base de toda a biosfera.
Enfim...
É estranho demais morar em uma cidade onde as estações do ano variam entre quente e MUITO¹²³²¹²³ quente, e mesmo assim se lembrar o que estava fazendo há exatamente um ou dois anos atrás. Hoje, conversando com outro coleguinha de escola (do 1º ano), percebi o quanto as coisas mudam em 3 anos, muito mais do que as "estações" do ano. O Ensino Médio só pode ser o melhor exemplo de escola da vida, e mesmo assim deve ser patético não conseguir sair (ou até mesmo não conseguir abandoná-lo, por mais saudades que deixe).
Voltando ao Krill, essa semana ele me disse que eu me apego ao ambiente a ponto de me tornar vulnerável a ele e às pessoas que encontro ali. (Krill me lê feito livro aberto, o que chega a ser insuportavelmente doloroso às vezes, mesmo quando faz aquela rara expressão de inocência.)Uma manhã de maio, uma tardinha de outubro, um ônibus em abril, um dia nublado de setembro, chuva em agosto, um calor escaldante em janeiro... Cada mês guarda uma lembrança exata de onde e com quem estava nesses últimos 3 anos, por mais doloroso que seja lembrar de coisas extremamente felizes ou tristes. Chega a ser incrível como cada sensação se mistura, se sobrepõe feito papel manteiga. Uma praia em Búzios, uma manhã acordando na varanda ouvindo Bittersweet Symphony, um 457, um pé esquerdo no CIEP, uma calçada na estrada, uma cama debaixo da escada. Caramba, como eu poderia adivinhar ano passado que tudo aquilo um dia passaria? Que era possível sobreviver, o quanto eu ia mudar, por quem iria me apaixonar... Eu não teria acreditado em nenhuma pista sequer que tivessem me dado rsrsrs
Como já disse em outro post, eu comecei a escrever um diário (que basicamente já virou esse blog) para marcar os acontecimentos de meus 15 anitos. Nem precisava, se soubesse que mesmo depois de tantas reviravoltas todas as memórias seriam tão vivas. Não desbotam, e sempre tem alguém para ajudar a reconstituí-las.
E quem iria imaginar que eu iria me recuperar do 2º ano? Meu, sobrevivi!! hauahauahuah
Hoje tava lendo um blog de uma menina que está fazendo intercâmbio na Dinamarca, e fico imaginando que se aqui no Rio as estações do ano fossem tão delimitadas, talvez eu ficasse neurótica, pensando o tempo todo na última vez que nevou, na última vez que as folhas das árvores pareciam em chamas, na última vez... na última vez...
Talvez não seja relevante a primeira vez de qualquer coisa, talvez o que importa seja a última. E com quem. Nem sempre vou ter alguém por perto para me ajudar a lembrar da primeira vez de qualquer coisa. Ou uma música, ou um perfume.
Imagina o pesadelo que seria ficar preso nos melhores anos de sua vida, sem querer sair e sem prosseguir? O que poderia ser mais destrutivo para as boas memórias do que aguá-las com rotina?
Se antes eu tinha certeza, ainda que precipitada sobre qualquer coisa, hoje reconheço que o incerto é mais acolhedor do que garantias explícitas, e que o melhor plano que posso fazer, até mesmo para o vestibular mais concorrido da América Latina, é "planejar me surpreender".

"Baby, be prepared to
be surprised
better be prepared to
be surprised
It's all I know"

"If things go right they were meant to be"

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