Viver a vida como se cada instante fosse o último não é aproveitá-la com intensidade, é exaustivo. Que outra melhor palavra para descrever um apego tão forte a alguma coisa? Uma vez atingido o ponto de saturação, segue-se a insipidez dos propósitos (antes jamais percebida), e, por fim, a espera decadente por um solução instantânea.
É como guardar o chiclete mastigado na geladeira, sempre pensando que, apesar de tudo, amanhã o gosto será o mesmo de sempre.
O melhor exemplo que posso citar é a noite de um insone. Este faz de seu dia uma verdadeira jornada de 30h, vivendo calado no escuro enquanto outros dormem. A agilidade com que as pessoas desistem da realidade parece absurda para que está sempre ali, esperando, à espreita do arrebatador momento de enfim descansar; mesmo que o susto desse assalto só lhe permita um sono precavido. Depois de um tempo, o insone já não é nem capaz de diferenciar a sensação de estar relaxado da sensação de estar cansado.
Eu, por exemplo, não sei mais, e nem por isso sinto significantes melhoras na minha qualidade de vida. Pelo contrário, cada momento abençoado pela embriagante preguiça deve ser respeitado com esmero, de forma a viver intensamente os sonhos que poderia sonhar se pudesse dormir. Só depois saberei se era cansaço ou relaxamento, se era sono ou dor de cabeça, se viver aquele dia "intensamente" valeu a pena.
Viver a vida como se cada instante fosse o último não é aproveitá-la com intensidade, é exaustivo. Acho que cada coisa vem a seu tempo... nao adianta querer viver tudo em um so dia... primeiro que impossivel.. segundo que seria muuuuito cansativo...
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