24 de nov. de 2009

Tá tudo errado...

Eu peco com sinceridade. Isso não distorce minha ética, mas me isenta de grande parte da auto-flagelação. Não porque simplesmente deixo as coisas acontecerem de olhos fechados, mas porque sei que não poderia estar de olhos mais abertos ao deixá-lo escapar por entre meus dedos.
Não acho sincero errar conscientemente, seja qual fôr a intenção e o motivo. Motivos para cometer erros não faltam, mas nem por isso viram acertos. "Explica, mas não justifica".
Acho sim que tenho um problema para perdoar as pessoas. Não sou rancorosa, pois o que sucede o erro alheio não me interessa, basta lembrar que foi ruim e que não quero aquilo. Não jogo na cara nem destrato o desfeitor, apenas não sinto necessidade de depositar a mesma confiança se a pessoa ainda não fez questão de reconquistá-la. É quase como esperar que as coisas sejam esquecidas e as relações reestabelecidas com o tempo, mesmo que não faça sentido. Não há por que se contentar com menos do que se espera (ou até mesmo, merece), ainda mais se não há esforços para equivaler ao esperado.

Eu não toleraria ser sua amiguinha, muito menos fingir que nada se passou. Por questões de afinidade, e até de orgulho, não me sujeitaria a ser menos do que já fui um dia. Não preciso te reconquistar aos poucos. Não o quero de volta.
Eu sei até onde errei e aceito minha culpa, mas não posso (nem vou) engolir mais do que isso. Se meus erros justificaram os seus, então se satisfaça com a sua isenção de culpa. Eu não te culpo. Se você também não se culpa, e acredita nessa isenção precária na qual os fins justificam os meios, então já pode parar de me observar agora. Já pode parar de procurar por detalhes que aumente minha parcela de culpa em relação à sua. Já pode parar de esconder o que sabe que me atinge.
Depois que consegui enfim me perdoar, comecei a tentar entender o que aconteceu entre nós. Estou tentando até hoje, pescando gestos no vazio, intenções no silêncio, carinho no passado. Nada fez sentido, nem fará quebrar o silêncio agora, quando a rotina que nos enlaça se romperá.
Não estou buscando justificativas para não me aproximar, pois não é um erro. E se fôr, é sincero: não quero que peça desculpas por nada, ainda mais quando não precisará mais me encarar todos os dias, para te lembrar que algo deu errado. E o erro, convenhamos... foi mais meu do que seu.

Um comentário:

  1. Wow, vim aqui planejando comentar algum texto seu, mas esse me deixou realmente sem palavras.

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