20 de jul. de 2010

Astronauta

Eu não sabia o que seria dali pra frente. Na minha cabeça, a grande dúvida estava em objetivar um futuro ao moldar todo o presente a seu favor ou garantir um presente e me desimportar com todo o resto. Por melhor que fossem, no entanto, pareciam planos de sobrevivência imediata; é preciso estar muito perdido para abdicar do que lhe é digno. Não falo de desfrutes, não, penso em algo sem o qual não preciso me acomodar.
Eu costumava comparar os conflitos internos já conhecidos com o de amigos, procurando estabelecer um padrão e diagnosticar seus problemas baseando-os nos meus. Como se a vida fosse um videogame e cada fase viesse fundamentalmente após a outra; e não que o final viesse acompanhado com um placar, mas um gabarito.
O erro foi meu.
Acho que nem sempre se trata de acertar, mas de deixar de aprender com os outros para aprender consigo mesmo. É que ser sempre o expectador vicia, e de certa forma arranja seus atalhos nesse procedimento. E aí que mora o perigo, quando a gente se atropela e tem que se conformar com o que tem.
Hoje me vejo dividida por um fino meridiano mais profundo do que um abismo, e meu coração pronto para pular enquanto a mente já se fora há muito. Já peguei muitos atalhos, já cruzei muito essa linha que divide um mundo inteiro em terra-de-ninguém. Eu destôo da paisagem dos dois lados, porque sei demais e me sei demenos.
Diante do que poderia ter sido, isso tudo foi a melhor consequência as minhas reações, mas apesar da maior amplitude da onde, da maior distância radial do epicentro do problema, acho que ainda estou presa a sua gravidade. Eu continuo em órbita, dando voltas.

"Does it seems like I'm looking for an answer?" 
Nightingale, de Norah Jones


"Eu quase que não sei de nada, mas desconfio de muita coisa." 
João Guimarães Rosa



Paciência, tem uns vários textos congestionados aqui, sem um fim que faça-os se conformarem. ;)

Um comentário: