13 de jul. de 2010

Elucidar



De onde vem minha luz?
Às vezes, para seguir um sonho, há de se fechar os olhos para todo o resto. Quando aceitei fazê-lo, foi nesse instante que perdi meu foco, meu raio de viver: ao endireitar o passo que me levou a sucumbir no espaço. E não foi preciso dar um salto para pular.
Não sei se o caminho que tomei me é digno, apenas sei que carece de luz; se até as linhas do Tao fazem curvas, por que, justo eu, tenho que desenhar linhas retas atrás de atalhos? Não sei por onde piso, há só um destino que me custa a lembrar...Tenho eu que sonhar o caminho também?!
De olhos fechados o tempo passa gota a gota, como o gotejar de um choro bem molhado. Não sei se choro forçado ou no estopim de uma convulsão; às vezes acho que se não chorar naquele instante, irei desfalecer em prantos até a próxima vez que me der vontade. Choro não me é digno, a tristeza encontrou um lugar para se acomodar só. E matura na mais simples solidão, sem se condensar no canto dos olhos. Há algo nela que me atrai, de tão suave e espontânea, perfeitamente delimitada. Eu sorrio, mas por trás de meus dentes jaz a maior escuridão do mundo. Eu engoli meus sonhos para poder enxergar. E o que há de se fazer além de rir disso? Eu rio "como quem tem chorado muito". E sorrio para que os outros não se importem quando me virem passar, e assim, não tentem reavivar meu estômago.
Pode um sonho sobreviver em um lugar tão lúcido e asséptico? Eu já virei do avesso uma e outra vez, e me vi lá.  É de uma escuridão intocada esse limbo em que nos meti. O tempo passa senoidal, e como tudo que é infinito, leva embora e trás de volta sem desaguar em lugar algum. No escuro tem gente que se encontra por nunca antes ter fechado os olhos para olhar para dentro; mas tente só desenhar uma linha reta sem enxergar. Tente ir mais longe, ou negar a firmeza de um corrimão nessa hora.
Que sonho é esse que só existe quando fecho meus olhos? Que sonho é esse que exige de mim a ignorância de todo o resto? Será que se houvesse luz dentro de mim ele não me escolheria?
De onde vem, meu deus, essa minha luz? Que não está em mim, que não está no meu caminho, apenas ilumina o que vejo? E que, apesar dos olhos abertos, só ilumina até onde o tortuoso horizonte me permite ver?

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