27 de jul. de 2010

Pescaria

Você curvou o dedo
como um anzol
Me mostrou o caminho,
Explicitou o convite,
E eu fui, mordi a isca.
Mas fui tocada pelo
seu dedo em riste,
sem fisgadas no céu-da-boca,
me arranhando por dentro.
À medida que esticava-os,
finos e pontudos,
foi como engolir uma espada
Escorreguei pelo seu olhar mudo
displicente
Eu mordi em falso
seus dedos frios, ossudos,
sem qualquer gancho seguro
essa mentira de aço.

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