Há mais de um ano não consigo terminar um livro, ainda que eu goste dele. Isso aconteceu mais ou menos quando lá no colégio as meninas trocavam entre si e faziam fila para ler a série Crepúsculo. Lembro que devorei cada um com tal agilidade, ciente de que pular um ou outro parágrafo não iria mudar muito o rumo da história. Isso foi há dois anos atrás, mais ou menos, e só hoje me ocorreu que talvez essa experiência voraz me tenha alterado; talvez pular por sobre as letras para acabar o mais rápido possível e passar o livro adiante tenha me despertado essa angústia atual. Terminar um livro, por mais agradável que seja, me é um suplício, como se as páginas não tivessem fim, e a numeração trapaceasse o meu lento divagar pelas linhas. Minha cabeça se sente quente, cansada em meras 5 páginas, e ainda ruminando o que acabara de ler misturo tudo com meus acontecimentos recorrentes, e o livro finalmente acaba por descansar na minha barriga. E pouco me interessa o final da história, já sei quem o são e como eu gostaria que terminasse, e de qualquer forma que isso acontecer, ainda estarão na minha cabeça, insurgindo na minha realidade vezes por outras.
Depois de parar na formulação da situação-problema do quarto e último livro da Saga Crepúsculo, larguei Drácula antes de Mina ser salva (ou não, ainda não o descobri), e não consegui sequer ler todas as crônicas de Neil Gaiman que um doce amigo me emprestara. E os sintomas foram se agravando, desde passar das novelas às crônicas de Lispector (e ainda assim não ler todas) até não terminar posts de blogs que me comprazem. Eu não sei explicar, eu poderia até culpar os hormônios ou Crepúsculo, mas não resolve meu problema.
E aquele desejo de tarde vazia, munida de um livro em uma rede ou varanda, fora desgastado por tentativas frustradas.Aquela calma ou necessidade de divagação não são suficientes para me arrebatar do chão da mesma forma que uma música ou um filme, após muito de seus esforços. Talvez palavras tenham me chegado ao fim por enquanto, e busco em outros meios a minha expressão, mas não sou tão artista assim. Pelo contrário: assim como os relatos de Bella Swan, acho que se me pulassem alguns parágrafos não faria notada diferença: a gente sabe como essa história acaba.
Também estou nessa de largar livros pela metade...
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