17 de jul. de 2010

Digestão

Eu tinha coisas incríveis pra escrever, e essa tela branca me alienava. Eu sentava de frente ao computador e não queria saber de mais nada. Mas depois de várias tentativas, diante dos mais diversos resultados, descobri que aquilo que se revelava para mim continuaria em segredo.
Acontece que o que eu descobrira não era um desabafo. Eram idéias atrás de digestão. Verbalizá-las foi inútil, foi um erro, como toda literatura. Por qual outro motivo se leria algo se não para conceber alguma idéia que acalente seus desejos? Literatura é auto-projeção, masturbação de ego. E digerir uma idéia, bem, é respeitá-la mesmo contra a vontade.
Eu JAMAIS leria algo assim, que só me dissesse respeito (hauahahaua, como se fosse possível, madame!)
Dar nome aos bois é bem mais difícil do que eu pensava! É perigoso, restritivo, e principalmente alienante. Como poderia eu fazer literatura, se no meu texto deixo de lado um monte de coisas que domino e mais as coisas que não sei que deixo de lado? Eu queria abrir mentes, mas me ler abre uma porta e fecha outras tantas! Estou lhe contaminando com a minha resposta, sem sequer que tu me exijas a capacidade de persuadí-lo! Há algo mais poderoso do que isso?
Por isso digo: não leia livros, não visite blogs de conhecidos, não veja filmes, não estude física, não busque uma religião. Você está se contaminando dos outros e abdicando de seu puro "eu".
Digerir uma idéia não é contaminar, é emulsificar e neutralizar. E quanto a isso, tenho nada a lhe dizer.

2 comentários:

  1. mas o "puro eu" sem o externo é equivalente ao vazio que, de acordo com Hegel, é a ausência do isto.
    Todo mundo precisa de um isto.

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  2. @#$%~&+! Muito bom! Mesmo.

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